0 penúltimo episódio de Bach e o seu Tempo é dedicado a uma faceta menos conhecida do compositor: o aperfeiçoamento de obras suas, mesmo das já dadas por concluídas, ou adaptações de obras de outrém.
Adaptador, reciclador e revisor
O episódio 12 incide sobre uma faceta distintiva da personalidade de João Sebastião Bach: a compulsão para melhorar continuamente as suas criações, alterando o texto, a música ou a instrumentação, na senda permanente da perfeição estética. Mesmo quando reciclava obras já realizadas em novas composições, o que fazia habitualmente para conseguir responder às solicitações semanais para a apresentação de música nova para as igrejas de Leipzig, as adaptações que fazia aperfeiçoavam sempre o material reciclado. Este trabalho de adaptação, tecnicamente designado como “parodiar”, não se limitava às suas próprias peças, mas incluía igualmente adaptações de obras originais de compositores que admirava, como é o caso do Stabat Mater de Pergolesi.
O tempo de Bach foi uma época em que se realizaram avanços pioneiros no estudo da eletricidade. As primeiras décadas do século XVIII foram ricas em experiências elétricas que causaram o fascínio dos contemporâneos do compositor e produziram grande sensação nos salões aristocráticos.
O episódio relata algumas experiências inéditas que colocaram os fenómenos elétricos no centro da atenção das elites intelectuais da época.
Em termos musicais, vamos ouvir exclusivamente música parodiada por Bach, isto é, reciclagens e adaptações realizadas pelo compositor a partir de obras originais, quer da sua lavra quer da lavra de terceiros. No primeiro caso, está o Magnificat, a Oratória de Natal e cantatas de Leipzig parodiadas a partir de serenadas congratulatórias de Cothen; no segunda caso, está o Stabat Mater de Pergolesi.
José Corrêa Guedes