A Volta ao Mundo faz a celebração Ravel com a apresentação de Lonlon, o Bolero de Ravel por Angélique Kidjo. Uma vibrante adaptação dos anos 2000 a partir da obra-prima clássica de Maurice Ravel, vinda de 1928, e que cruza a música erudita europeia com ritmos e vozes africanas.
Angélique Kidjo, a maior voz da World Music da atualidade, em Ravel, o Compositor do Mês
Angélique Kidjo canta em mina, uma das línguas regionais do Benim, o país da África Ocidental onde nasceu. É ela própria a autora do arranjo que transforma esta peça instrumental hipnótica, impulsionada por crescendos, numa celebração do amor e da ancestralidade.
A esta adaptação Angélique deu o título de Lonlon, que significa em mina, ‘Amor’.
Kidjo metamorfoseia assim o que é inicialmente uma peça instrumental num hino vocal, focado nas emoções e na conexão. É uma verdadeira fusão cultural: a música combina a estrutura melódica repetitiva de Ravel com tambores e cantos vocais africanos, destacando o que a cantora e compositora apresenta como as influências africanas que “já estavam presentes” na composição original.
Além da voz de Angélique há tambores africanos, guitarras congolesas e elementos do folclore do Benim. Ao vivo, a canção já foi apresentada com o saxofonista Branford Marsalis e, noutra ocasião com o violoncelista Yo Yo Ma.
Ao reimaginar este clássico, Kidjo afirmou que sentiu que Ravel teria ficado feliz com a interpretação, uma vez que acredita que a melodia original tem um apelo universal que une mundos diferentes.
Lonlon está presente no oitavo álbum de Angélique Kidjo, de 2007, intitulado Djin Djin, uma referência ao som do sino africano que anuncia a chegada de cada novo dia, ao despertar e ao início da vida.
O álbum foi produzido por Tony Visconti que tem fortes ligações a David Bowie. Também inclui uma versão duma música dos Rolling Stones e também a versão dum tema de Sade Adu.
O álbum conta com a participação de nomes como Carlos Santana, Ziggy Marley, Alicia Keys, Joss Stone, Peter Gabriel e da dupla Amadou & Mariam.
Djin Djin venceu, em 2008, o Grammy para Melhor Álbum de World Music Contemporânea.
André Pinto
