Pedro Dias de Almeida em Memórias Futuras conversa com o músico Rodrigo Leão, em antecipação do seu concerto Piano para Piano, em Lisboa, a 7 de julho.
Fundador de bandas tão marcantes e relevantes como os Sétima Legião (em 1982) e os Madredeus (em 1986, com Pedro Ayres Magalhães), Rodrigo Leão tem-se afirmado com um percurso único, em nome próprio, desde que em 1993 lançou o surpreendente disco Ave Mundi Luminar, com letras em latim, referências ao minimalismo de Michael Nyman e ecos litúrgicos. Da infância, dos discos que a mãe gostava de ouvir em casa – de música clássica, contemporânea, Piazzola, Brel, Édith Piaf… – nasceu uma constelação musical que ultrapassaria fronteiras, geográficas e de géneros. Canhoto – o que dificultava, e muito, as primeiras aventuras como guitarrista – e sem nunca ter aprendido a ler e a escrever em pautas, Rodrigo Leão começou a levar a música a sério desde muito jovem, desenvolvendo métodos próprios, numa busca livre e incessante de harmonias e melodias que o guia ainda hoje. Para falar de tudo o que conquistou, vendo-se a colaborar com grandes orquestras, como a da Gulbenkian, e vozes ou enchendo salas um pouco por todo o mundo, não hesita em usar a muito fadista palavra “destino”.
No concerto Piano para Piano (marcado para 7 de julho no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa), Rodrigo Leão vai partilhar o palco com os três filhos – António, Rosa e Sofia -, que desde muito jovens começaram a aprender a tocar piano. A família, os amigos, velhos cúmplices musicais que se mantêm nos seus mais variados projetos fazem parte de uma caminhada singular e inconfundível. No caso de Rodrigo Leão e da sua música, a solo nunca significou sozinho.
Pedro Dias de Almeida