Nesta semana o Supernova apresenta um cardápio diversificado de novidades discográficas: da atual música portuguesa a Johann Ludwig Bach, passando por Schubert e a vários compositores da primeira metade do século XX.
Há música portuguesa a abrir esta edição de Supernova. O projeto A Jangada Metálica, do NoMad Duo, parte da ideia proposta por José Saramago na sua Jangada de Pedra: a Península Ibérica separa-se da Europa e começa a vogar no Atlântico. Remetendo para o universo da tradição oral, Ricardo Antão (eufónio) e Jonathan Silva (percussão) desafiaram 6 compositores portugueses a compôr obras musicais inspiradas nas lendas e nos mitos ibéricos. Telmo Marques, Nelson Jesus, Rui Rodrigues, André M. Santos, Vasco Valente e Anne Victorino d’Almeida responderam com partituras que evocam o folclore português e lendas sobre personagens históricas, ao mesmo tempo que revelam as suas estéticas, ambientes e cores. A acompanhar o duo está o NoMad Ensemble (eufónios e tubas), sob a direção de Francisco Ribeiro (ed. autor).
O jovem violinista alemão Tassilo Probst volta a dar cartas com o álbum Another Dawn, onde interpreta o célebre Concerto para violino em Re M, de Erich W. Korngold, o Concerto para violino nº3, de Joseph Achron, e o Lamento, de Christos Samaras. “Não há nada mais entusiasmante do que mergulhar no mundo da música, descobrindo constantemente coisas novas e partilhando-as com o meu público”, disse Probst, que neste disco, de virtuosismo primoroso e profundidade emocional, é acompanhado pela Orquestra Sinfónica Estatal de Salónica, sob a direção de Daniel Geiss (ed. Berlin Classics).
O Gould Piano Trio já foi comparado ao Trio Beaux Arts por causa do seu “fogo musical” e da sua “dedicação ao género”, que o colocaram na vanguarda da cena da música de câmara internacional dos últimos 25 anos. Lança agora o 2º volume de trios de Franz Schubert, cuja obra central é o celebrado Trio com piano em Mib M, D. 929, uma obra-prima tardia que os músicos nos oferecem na sua versão completa — ou seja, o andamento final, Allegro moderato, recupera a comovente passagem em Si m, um motivo no piano que paira sobre o tema do violoncelo. Schubert decidiu, depois, abreviar a partitura, retirando-lhe essa parte para não aborrecer as audiências mais irrequietas (ed. Resonus).
Esta semana também somos brindados com a 1ª gravação mundial de todas as Cantatas de Leipzig de Johann Ludwig Bach, pela Capella Sollertia, a maestra Johanna Soller e um grupo de cantores solistas. Em 1726, Johann Sebastian Bach era Cantor da Thomaskirche há 3 anos; em Fevereiro, decidiu interromper a sua produção regular de cantatas para interpretar as 18 do seu primo distante nas principais igrejas da cidade. Johann Ludwig era, então, director musical da corte de Meiningen, tendo iniciado o projecto de escrever um ano inteiro de cantatas sacras em 1718. Dessas 70 obras, que representam o auge da sua carreira, as 18 sobreviventes estão em cópias realizadas por J.S. Bach (ed. Ricercar).
Out of Vienna é o título do excelente álbum do jovem Quarteto Leonkoro, fundado em 2019; em 2022 arrecadou 9 prémios na Competição Internacional de Quartetos na Wigmore Hall (Londres), 3 prémios na Competição Internacional de Bordéus e o prémio Merito do String Instrument Trust. A capital austríaca e a sua influência na paisagem musical do início do séc. XX são tema de um disco reúne a Suite Lírica, de Alban Berg, os Cinco Andamentos, Op.5, de Anton Webern e as Cinco Peças, WV 68, de Erwin Schulhoff (ed. Alpha).
Inês Almeida