Supernova traz semanalmente à Antena 2 uma seleção das melhores novidades discográficas do momento.
O episódio de estreia está ainda bem ancorado em 2025, com sugestões de edições de Dezembro, a começar por uma ambiciosa antologia das obras sinfónicas de Dora Pejačević (1885-1923) pela Staatskapelle Weimar e o maestro Ivan Repušić (ed.Audite).
A peça central deste disco é considerada pelos especialistas a primeira sinfonia moderna da Croácia: a Sinfonia em Fa# m, Op.41, na qual Pejačević trabalhou durante cerca de ano e meio e que foi parcialmente estreada (apenas os 2º e 3º andamentos) em 1918, no Musikverein de Viena.
A obra estava incluída num programa de concerto bastante extenso e a compositora identificada apenas como D. Pejačević, presumivelmente para ocultar o género, ainda que se tratasse de uma artista conhecida e reputada na Europa.
Depois da sua morte, Dora Pejačević foi quase esquecida – injustiça flagrante feita à obra de uma compositora perfeitamente integrada no seu tempo, com uma linguagem musical enraizada no Romantismo e atenta às novas correntes estilísticas do séc. XX. Só a partir dos anos 2000 se impôs o seu reconhecimento e, finalmente, em 2023, no centenário da sua morte, a Sinfonia em Fa# m foi interpretada, em simultâneo, nas cidades de Zagreb e Frankfurt, já na versão revista de 1920, mais curta e com uma orquestração luxuriante.
Em Abril de 2026, o guitarrista Sean Shibe verá publicado o novo álbum, Vesper. Mas, para aguçar o apetite, a editora Pentatone lançou o EP com as Forgotten Dances, que Thomas Adès (1971) compôs em 2023 para o guitarrista escocês de ascendência japonesa. A primorosa Suite é a primeira obra para instrumento solo, que não o piano, de Adès. A sua sequência de andamentos é: Abertura – Rainha das Aranhas; Berceuse – Paraíso de Tebas; Aqui estava um andorinhão; Barcarola – a Primeira Viagem; Carillon de Ville; Véspera (para Henry Purcell).
Para a editora Linn, o pianista malaio Julian Chan gravou a extensa Suite de Java, composta por Leopold Godowsky (1870-1938) em 1925. Esta edição é parte integrante do projecto Royal Academy of Music Bicentenary Series, a ponte entre as tradições do passado e o talento do futuro. O centenário da Suite de Java foi pretexto feliz para a interpretação de uma obra inspirada na cultura, nas paisagens, na arquitectura e nas harmonias surpreendentes da ilha de Java, Indonésia, fluindo entre o Oriente e o Ocidente.
Hans Koessler (1853-1926) é o autor de uma Sinfonia em Si m de grande poder criativo, sensibilidade poética e segurança sónica. A sua interpretação é feita pela Orquestra Sinfónica de Nuremberga, sob a direcção de Rudolf Piehlmayer, num disco com selo CPO que também inclui a Passacaglia Concerto para violino e orquestra. A Sinfonia em Si m, com uns bons 45 minutos de duração, foi provavelmente escrita antes de 1900 e a partitura, inédita, teve de ser reconstruída a partir das partes existentes; preserva os 4 andamentos da tradição clássico-romântica, mas também tem elementos da Nova Escola Alemã.
No seu álbum de estreia, o violoncelista alemão Simon Tetzlaff interpreta obras de E. Ysaÿe, J. Sibelius e Z. Zodály (ed. Hänssler), esperando que a música leve ouvintes a apaixonar-se pelos compositores e a aprofundar os seus conhecimentos sobre a vida e a obra dessas figuras. Uma das peças do disco é Malinconia, Op. 20, que Jean Sibelius (1865-1957) compôs em 1900, para violoncelo e piano. É moldada, simultaneamente, pelas paisagens da Finlândia e pela dor da perda da filha, Kirsti, devido a uma epidemia de tifo. Partitura intensa e de incrível poder expressivo, na interpretação de Tetzlaff e Kiveli Doerken.
Inês Almeida