Neste episódio de O Nosso Tempo, o músico em destaque é Ravi Shankar (1920-2012). Foi uma das figura mais lendárias da história da música indiana e porta-voz de tradições que, por si, chegaram não só a outras geografias mas também a novas gerações. Mestre do sitar, grande divulgador da música clássica indiana, aberto a diálogos e intersecções, cruzou-se ao longo da vida com figuras como Yehudi Menuin, John Coltrane ou Philip Glass. E George Harrison descreveu-o como o “padrinho da world music”.
Nasceu a 7 de abril de 1920 em Varanassi, cidade nas margens do Rio Ganges… Era o mais novo dos sete filhos de um advogado e político e da filha de um proprietário dos terrenos em volta da aldeia. Ravindra (o seu nome real) despertou muito cedo para as artes performativas e para a dança, em particular antes mesmo da música. E de resto passou parte da juventude com a companhia de dança do irmão Uday, com a qual viajou à Europa e América nos anos 30.
A sua obra assenta sobre os mais firmes alicerces de tradições da música indiana. Mas os concertos que juntaram o sitar a orquestras, os discos gravados ao lado de grandes instrumentistas e compositores e inclusivamente a ópera Sukania fazem de Ravi Shankar mais do que um mero embaixador de uma cultura.
Na década de 60 marcou presença em grandes festivais ligados à música pop/rock, entre os quais o de Woodstock, em 1969.
Nuno Galopim