Esta semana o músico em destaque em O Nosso Tempo é o norte-americano Terry Riley. Apesar de reconhecido como um dos quatro pilares fundamentais do minimalismo norte-americano (e os outros são La Monte Young, Steve Reich e Philip Glass), na verdade Terry Riley partiu cedo rumo à demanda de outros horizontes, que se desenharam entre a música improvisada e sugestões que chegaram do estudo da música indiana. A etapa “minimalista” abarca sobretudo criações na década de 60.
Nasceu em Colfax, nos sopés da Serra Nevada, em plena Califórnia rural, a 24 de junho de 1935. Teve aulas de violino aos cinco anos, depois aprendeu a tocar piano “de ouvido” até que passou a ler partituras aos onze. Descobriu os nomes de Dizzie Gillespie e Charlie Parker num artigo de uma revista, mas na loja de discos da cidade, o que havia era sobretudo música country. No liceu o professor de música deu-lhe a conhecer Bartók, Stravinsky e outros mais compositores do século XX. Abriram-se horizontes…
Na segunda metade da década de 50, já a viver em São Francisco, chegou a sonhar numa carreira como pianista. Mas entre os colegas com quem estudava e figuras da movida vanguardista da cidade acabou por encontrar outros rumos. Foi então particularmente marcante o primeiro encontro com La Monte Young, do qual nasceu admiração, colaboração, cumplicidade e amizade. O trabalho ao lado de La Monte Young, com quem tocou na década de 60, estimulou a descoberta de novas formas de encarar a música.
Foi também determinante a sua ligação ao San Francisco Tape Music Center, onde se cruzou com pioneiros da música eletrónica como Martin Subotnik ou Pauline Oliveros, conhecendo também ali Steve Reich, que em 1964 o ajudaria a produzir a estreia de In C, obra que parte da uma coleção de 53 módulos inscritos numa única página e que os músicos podem repetir consoante um conjunto de regras pré-definidas. In C surgiu pela primeira vez em disco em 1968.
Nuno Galopim