O quinto episódio de Sala Escura é dedicado a uma das pioneiras da cinematografia portuguesa que esteve na primeira edição do Festival de Cannes, em 1946. Inês N. Lourenço convida Filipa Rosário, investigadora e professora de cinema, e Tiago Baptista, diretor do ANIM, para uma conversa sobre as mulheres atrás das câmaras.
Em 1946, uma jovem portuguesa, de nome Bárbara Virgínia (1923-2015), assinou um filme: uma espécie de Rebecca (1940) à escala dos nossos meios, com uma genuína inspiração gótica. Esse filme, Três Dias Sem Deus, fez dela a primeira mulher realizadora de uma longa-metragem sonora na época da ditadura, assim como a primeira presença feminina na competição do Festival de Cannes, justamente, a edição inaugural do prestigiado certame.
Autêntica precursora do cinema, caída no esquecimento depois de ir viver para o Brasil, Bárbara e o seu filme – de que hoje só restam 32 minutos sem banda de som – são o ponto de partida e chegada de uma conversa à volta das “pioneiras do cinema português”, que estão em destaque no ciclo assim intitulado, a decorrer na Cinemateca neste mês de maio.
Filipa Rosário, investigadora e professora de cinema, e Tiago Baptista, diretor do ANIM – Arquivo Nacional das Imagens em Movimento, também professor e investigador, são os convidados deste quinto episódio do Sala Escura, dedicado ao labor das mulheres atrás da câmara.
Uma narrativa durante muito tempo ocultada dos padrões da academia e da sensibilidade sociocultural, que tem vindo a ser redescoberta nos novos anos 20.
Inês N. Lourenço