Bernstein, Compositor: A Procura de um Som (II)

Bernstein, Compositor: A Procura de um Som (II)

Compositor do Mês

Bernstein, Compositor: A Procura de um Som (II)

Bernstein, Compositor: A Procura de um Som (II)

Compositor do Mês

Leonard Bernstein é o Compositor do Mês em setembro. De segunda a sexta-feira na Antena 2, ouvimos música sua nas emissões diárias, em edições especiais ou em programas como A Nossa Orquestra, Banda Sonora, entre outros. E todas as quartas-feiras acompanhamos um percurso pela vida e obra do compositor, conduzido por Maria Alexandra Corvela.

Leonard Bernstein: Um Músico sem Fronteiras

Bernstein: A Procura de um Som (II)

Bernstein ensaiando o elenco do West Side Story

Na década de 40, Bernstein idealizou modernizar o clássico Romeu e Julieta. Em 1957, com a ajuda das letras de Stephen Sondheim, nascia o incontornável West Side Story. A obra misturou jazz, ritmos latino-americanos e teatro musical. O sucesso desta mistura acabou por eclipsar, em parte, o resto da sua produção.

Contudo, para lá das luzes da Broadway, existia um compositor profundamente preocupado com a condição humana, a dúvida e a reconciliação.
Essa busca espiritual marcou a monumental 3ª Sinfonia (Kaddish), composta em 1963 em memória de John F. Kennedy, em que o compositor questiona o divino, e os Chichester Psalms de 1965, uma obra ecuménica cantada em hebraico que uniu a solenidade coral ao dinamismo do jazz.
Em 1971, Bernstein quebrou definitivamente todas as fronteiras com MASS, uma peça teatral que misturou rock, blues e liturgia, levando as discussões de fé diretamente para o palco.

Bernstein com a filha mais velha, Jamie.

Nos anos 70 e 80, o compositor virou-se para a realidade do seu país e da sua própria vida. Com Songfest (1977), traçou o retrato social da América ao dar voz às minorias e aos marginalizados. Já na década de 80, o tom tornou-se mais sombrio com a ópera A Quiet Place, uma obra nascida do luto pessoal que confrontou o público com os traumas e as dificuldades de comunicação de uma família americana.

Nos seus últimos anos, a despedida criativa de Bernstein acabaria por oscilar entre o recolhimento e a celebração Bernstein oscilou entre o recolhimento e a celebração. A sua última grande obra coral, Missa Brevis (1988), trouxe uma paz profunda através de vozes a cappella, enquanto Jubilee Games (1986) serviu como uma última e festa orquestral, repleta de jazz, improvisação e a pura alegria de viver.

Um retrato sonoro de um homem que uniu mundos e transformou a história da música.
Maria Alexandra Corvela