Pedro Dias de Almeida em Memórias Futuras conversa com o artista visual Daniel Blaufuks sobre o seu percurso artístico, desde a descoberta da fotografia, aos livros e exposições que tem criado, e aos projetos atuais.
Estudou Gestão na Alemanha e, em Lisboa, onde nasceu em 1963, trabalhou com o avô numa pequena empresa de importação de fitas de aço para molas. Mas o ambiente fervilhante de Lisboa nos anos 80 e a decisão de se inscrever no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, abriram outros caminhos para a sua vida.
Daniel Blaufuks começou por acreditar que ia ser fotojornalista (função que assumiu no semanário O Independente), mas um lado mais pessoal e subjetivo foi-se impondo. Vê e pensa como “fotógrafo” mas é mais justo defini-lo, hoje, como “artista visual”. A sua obra salta de exposições para edições muito cuidadas de livros e catálogos. As referências à literatura são uma constante – com uma fixação em autores como W.G. Sebald, Georges Perec ou Cesare Pavese. É doutorado pela University of Wales com uma tese sobre fotografia e memória em relação com as obras de Sebald e Perec.
O seu mais recente livro é Tentativa de Esgotamento (depois do adeus), lançado em 2025, centrado num prédio lisboeta onde viveu vários anos e com ecos de uma obra/experiência de Georges Perec. (Ainda) À Espera de Godot é o nome da exposição que ocupa a Galeria Vera Cortês, em Lisboa, até 17 de maio. Também no Japão está, este momento, uma exposição de fotografias suas tiradas no país – um projeto em curso. Trabalha, ainda, atualmente, sobre colonização e trabalho escravo, até 1974, em São Tomé e Príncipe.
Pedro Dias de Almeida