O episódio desta semana de A Voz das Cores, da autoria de Andrea Lupi, é dedicado a uma das obras mais emblemáticas de Domingos Sequeira. Executada em Roma, é uma obra sacra datada de 1827, fazendo parte de um grupo de quatro pinturas tardias de pintor.
Descida da Cruz, de Domingos Sequeira
Domingos António de Sequeira (1768 – 1837) foi um dos maiores pintores portugueses do período neoclássico.
Depois de ingressar, aos 13 anos de idade, nas aulas desenho lecionadas por Joaquim Manuel da Rocha, partiu para Roma em 1788 com uma pensão régia, obtida através da intervenção do Marquês de Marialva. Regressou a Lisboa, de onde era natural, em 1795.
No início do século XIX obtém o cargo de ‘Primeiro Pintor de Câmara e Corte’, mudando-se temporariamente para o Porto para assumir a direção da Aula de Desenho e Pintura da Academia Real de Marinha e Comércio da Cidade do Porto, que ficara vaga com a morte de Vieira Portuense. Em 1823 sai do país, vivendo em Paris antes de se estabelecer em Roma, onde viria a morrer em 1837.
A Descida da Cruz, de 1827, faz parte de um conjunto de 4 pinturas de temática religiosa – às quais se juntam Adoração dos Magos (1828), Ascensão (1828-1830) e Juízo Final (1828-1830) – que o consagraram como pintor. Apesar do estilo neoclássico, prenunciam já o romantismo.
Na pintura podem ser observadas inúmeras figuras humanas, de diversas idades, em situações muito diferentes, o que torna o quadro muito rico em pormenores. As cores dominantes são o azul plúmbeo do céu e cores terra, incluindo nas figuras humanas, apenas pontuadas por cores mais fortes. Destaca-se a abertura de luz no céu, do lado esquerdo, e a alvura total das roupagens e do cadáver de Jesus, amparado pelos seus.
A obra portuguesa de temática pascal evoca música de J. S. Bach, Jan Dismas Zelenka, João Domingos Bomtempo, Vivaldi e Arvo Pärt.
Andrea Lupi