No momento em que a RTP Memória começa a transmitir, aos domingos, uma rubrica (Rebobinar) com filmes domésticos, de pequeno formato, que chegaram ao arquivo da Cinemateca no âmbito da campanha “Filmou o 25 de Abril?”, o Sala Escura dedica um episódio à especificidade deste género fílmico: fitas oriundas de espólios individuais, que são autênticos objetos de memória coletiva, revelando um país, de norte a sul, marcado pelas emoções revolucionárias, e um novo modo de habitar o espaço público.
Na companhia de Raquel Morais, da equipa de acesso às coleções fílmicas da Cinemateca, e Ricardo Noronha, historiador que se tem debruçado sobre o período do PREC, percorremos a natureza destes filmes correspondentes a uma época, consciência política e manuseio dos materiais de filmagem, percebendo também a lógica dos novos tempos. Por exemplo, a maneira como o digital se tornou uma ferramenta indispensável na preservação de imagens captadas em formatos analógicos, mas também como dificulta os métodos arquivísticos.
Entre o labor do restauro e a vida propriamente dita das fitas, os filmes domésticos são, afinal, experiência coletiva.
Inês N. Lourenço
