Portugal regressa esta semana ao Eurovision Young Musicians
@ Jorge Carmona / RTP Antena 2

Portugal regressa esta semana ao Eurovision Young Musicians

A violinista Beatriz Li Rosão representa Portugal no concurso que a RTP Antena 2 transmite em direto no próximo dia 6 de junho a partir de Erevan, na Arménia

Portugal regressa esta semana ao Eurovision Young Musicians

Portugal regressa esta semana ao Eurovision Young Musicians

A violinista Beatriz Li Rosão representa Portugal no concurso que a RTP Antena 2 transmite em direto no próximo dia 6 de junho a partir de Erevan, na Arménia

Portugal regressa este ano ao concurso Eurovision Young Musicians, que se realiza esta semana em Erevan, na Arménia. Cabe à violinista de 19 anos Beatriz Li Rosão, uma das finalistas do Prémio Jovens Músicos em 2025, a sexta representação de Portugal neste concurso internacional organizado pela EBU (European Broadcasting Union), que integra a RTP.
Além de Portugal, Chipre e Letónia regressam também este ano ao concurso.
Na Arménia, Beatriz Li Rosão vai juntar-se a dez outros jovens músicos que, na tarde do próximo dia 6, poderemos acompanhar em direto na RTP Antena 2, pelas 17h00, numa emissão com comentários de André Cunha Leal, num simultâneo com a RTP2.

É esta, por ordem alfabética dos países concorrentes, a lista dos participantes nesta 22ª edição do concurso:

Alemanha (WDR) – Moë Dierstein (violino)
Arménia (AMPTV) – Elen Virabyan (flauta)
Bélgica (RTBF) – Simon Nakhimovitch (marimba)
Chéquia (ČT) – Nora Lubbadová (piano)
Chipre (CyBC) – Iakovos Kedaritis (clarinete)
Letónia (LSM) – Sonja Misiņa (percussão)
Polónia (TVP) – Michał Stochel (acordeão)
Portugal (RTP) – Beatriz Li Rosão (violino)
Sérvia (RTS) – Jana Jakovljević (violino)
Suécia (SVT) – Edward Ahlbeck Glader (piano)
Suíça (SRF) – Manoush Toth (piano

Tal como contou em entrevista à RTP Antena 2, há já alguns meses, a “aventura” da jovem violinista portuguesa começou aos cinco anos quando a mãe lhe deu a escolher entre o piano e o violino. O percurso não foi linear nem contínuo, mas o tempo levou-a a reencontrar-se com as orquestras e a música de câmara. Houve um “clique” e com ele o encontrar de uma nova “paixão e determinação” que a levaram ao Prémio Jovens Músicos, onde já tinha participado há dois anos, também no nível médio, tendo então ficado em segundo lugar. Pensou “que ia acabar aí”, contou-nos, mas depois viu a abertura das candidaturas deste ano para este mesmo nível médio e pensou “pronto, é a minha última oportunidade, tenho de ir, tenho de participar”. Reconhece que “é sempre um desafio entrar em concursos desta categoria e desta importância, especialmente em Portugal”. E conclui: “é sempre bom ter em mente não desistir e continuar. Ter determinação é mesmo importante”.

Em Erevan, Beatriz Li Rosão terá ensaios parcelares com a orquestra e dois ensaios gerais antes da tarde em que poderemos acompanhar a 22ª edição do concurso numa emissão de perto de três horas que incluirá momentos para lá da competição e que dará a conhecer o Teatro de Ópera da cidade, que será o palco de toda a operação.
A votação será assegurada por um júri que inclui o maestro Julien Salemkour, o flautista Eduard Belmar, o violinista Roman Simović e o violoncelista Narek Hakhnazaryan.

Uma história com mais de 40 anos

Fundado em 1982, e diretamente inspirado pelo BBC Young Musicians, o Eurovision Young Musicians realiza-se a cada dois anos, acolhendo jovens músicos, com idades entre os 12 e os 21 anos, que ali se apresentam como solistas, interpretando a obra de um compositor clássico juntamente com uma orquestra local. Depois da edição inaugural realizada em Manchester, o concurso cruzou já a sua história com importantes lugares e eventos. Em 2006 integrou a programação oficial que assinalou os 250 anos do nascimento de Mozart. E, a partir desse ano até 2012, integrou o Festival de Viena, realizando-se ao ar livre a partir da Rathausplatz, no coração da capital austríaca. Seis anos depois, em 2018, fez parte da programação do Festival Internacional de Edimburgo. Em 2020, com uma nova edição apontada a Zagreb (Croácia), a pandemia obrigou o concurso a uma pausa, sendo retomado em 2022 em Montpellier (França) e 2024 em Bodo (Noruega), onde se sagrou vencedor o violinista austríaco Leonhard Baumgartner, que então tocou Henri Vieuxtemps.

Portugal estreou-se no Eurovision Young Musicians em 1990, na mesma edição em que a Grécia participou pela primeira vez. Com o célebre Musikverein (Viena, Áustria) como cenário, o trompetista António Miguel Camolas Quítalo levou ao palco uma peça de Haydn. Portugal voltou a competir sempre entre 1994 e 1998, sendo que em 1996 foi o anfitrião do evento, que se realizou a 12 de junho desse ano no Centro Cultural de Belém. Ausente a partir do ano 2000, Portugal regressou apenas ao concurso em 2014, conquistando então, e pela primeira vez, uma posição na Final. O feito coube ao jovem violoncelista natural da ilha do Faial, André Gunko, então com 17 anos, que na semifinal tocou Cassadó e Tchaikovsky e na final apresentou o segundo andamento do Concerto para Violoncelo op. 85 de Elgar. A edição de 2025 do Prémio Jovens Músicos elegeu o representante de Portugal para a edição de 2026 do concurso.

Em mais de 40 anos de história, o Eurovision Young Musicians já chamou a concurso praticamente todos os países que integram a EBU, o que soma o espaço europeu ao da orla mediterrânea também a sul e a leste. Áustria, França, Alemanha, Noruega, Suíça e Reino Unido foram os seis concorrentes da edição inaugural, que terminou com a vitória do pianista alemão Markus Pawlik, que entretanto tem vindo a criar uma carreira tanto nas salas de concertos como em disco, com gravações já editadas por etiquetas como a Naxos ou a Sono Luminus.
De 1982 para cá a Áustria já venceu a competição por seis vezes (1988, 1998, 2002, 2004, 2014 e 2024), seguindo-se nessa lista a Polónia com três vitórias (1992, 2000, 2016), a Alemanha (1982 e 1996) e os Países Baixos (1984 e 1990) com duas e, com uma, a França (1986), Reino Unido (1994), Suécia (2006), Grécia (2008), Eslovénia (2010), Noruega (2012), Rússia (2018) e a Chéquia (2022). Entre os países elegíveis para concorrer ao Eurovision Young Musicians ainda estão por assegurar uma primeira participação, estados como a Islândia, Luxemburgo, Mónaco, Andorra e Liechtenstein, Azerbaijão, Líbano e Jordânia na Ásia, e Marrocos, Argélia, Tunísia ou o Egito, no Norte de África.
Como curiosidade, o violino foi o instrumento que mais vitórias gerou na história do concurso, somando um total de dez triunfos. Seguem-se o piano com cinco, o violoncelo com dois e, com um, o clarinete, a flauta, a viola e o saxofone.

O Eurovision Young Musicians integra o lote de concursos ligados à música e dança organizados pela EBU e que tem como decano o Festival Eurovisão da Canção, cuja 70ª edição decorreu há poucas semanas em Viena (Áustria). É interessante notar que o Young Musicians precedeu contudo alguns factos que fizeram história no Festival Eurovisão da Canção, como por exemplo a criação de semifinais, que os jovens músicos da clássica enfrentam desde 1986 (na Eurovisão [a mais pop] as semifinais só surgiram em 2004). O Young Musicians precedeu também o Festival Eurovisão da Canção na abertura a leste após a queda da cortina de ferro, com a entrada da Hungria e Polónia logo em 1992, ambos só com representação em canções na Eurovisão dois anos depois. Apesar de uma presença mais antiga da Jugoslávia, de facto, 1993 marcou o início da abertura a leste do Festival Eurovisão da Canção, nessa ocasião com as entradas em cena da Bósnia-Herzegovina, Croácia e Eslovénia (nações que resultaram da fragmentação da antiga Jugoslávia).

Além do Eurovision Young Musicians e do Festival Eurovisão da Canção, a EBU organizou outros dois concursos musicais e dois mais ligados à dança.
Na música existe ainda o Junior Eurovision Song Contest, que em 2024 deu um 2º lugar a Portugal, e que terá a sua 22ª edição a 13 de dezembro em Tblisi (Geórgia). Com apenas duas edições realizadas entre 2017 e 2019, desativado desde então, houve ainda o Eurovision Choir, no qual Portugal não chegou a participar.
No espaço da dança o Eurovision Young Dancers teve 15 edições entre 1985 e 2017, com apenas três participações portuguesas. Por seu lado, Portugal marcou presença nas duas edições do Eurovision Dance Contest, que existiu entre 2007 e 2008.
Nuno Galopim