O programa A Nossa Orquestra apresenta três concertos dos arquivos da rádio pública, o primeiro em homenagem ao violoncelista da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, Henrique Fernandes, o segundo celebrando Ravel, o compositor do mês de Maio, e por último, evocando Álvaro Cassuto dirigindo Haydn.
Homenagem a Henrique Fernandes e a Ravel
No episódio de 19 de maio, André Pinto começa por homenagear o violoncelista Henrique Fernandes que faleceu há dias, recuperando o Concerto para dois violoncelos de François Couperin, que interpretou juntamente com Celso de Carvalho. Este recital foi gravado a 10 de janeiro de 1974.
Na segunda parte deste episódio, e celebrando Maurice Ravel, é transmitida a peça Introdução e allegro para harpa e orquestra op. 46, com o harpista Fausto Dias, acompanhando a Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, dirigida pelo maestro húngaro-australiano Tibor Paul. Este concerto teve lugar no Teatro Tivoli, em Lisboa, a 9 de dezembro de 1972.
A terceira parte da emissão evoca Álvaro Cassuto que dirige a Orquestra Sinfónica da Radiodifusão Portuguesa interpretando o Concerto para violoncelo e orquestra nº 1, de Haydn, tendo por solista a violoncelista Maria José Falcão. Esta gravação ocorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a 31 de julho de 1975.
Violoncelista e professor, Henrique Fernandes faleceu a 9 de maio, aos 98 anos.
Nascido em Lisboa a 19 de setembro de 1927, estudou no Conservatório Nacional de Lisboa. Terminou o Curso Superior de Violoncelo na classe de Isaura Pavia de Magalhães Lisboa, concluindo também os cursos de Composição com os Professores Wenceslau Pinto e Teófilo Saguer e, ainda Acústica e História da Música com Eduardo Libório. Fez estudos de interpretação com Filipe Loriente e Pedro Corostola.
Em 1946 iniciou a sua carreira profissional como violoncelista da Banda de Música da GNR. Quatro anos depois foi admitido por concurso público nos quadros da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional (Radiodifusão Portuguesa), aí permanecendo até à sua extinção em 1989. Colaborou nos recitais de Música de Câmara transmitidos regularmente pela emissora oficial, formando um “Duo de Violoncelos” com Celso de Carvalho, que revelou numerosas obras do reportório para esta formação.
Fez parte da Orquestra para o Congresso Internacional das Juventudes Musicais realizado em Lisboa em 1951, sob a direção do Maestro Pedro de Freitas Branco.
Foi membro fundador da Orquestra de Câmara do Estoril (1962-1968) com a qual se apresentou várias vezes como solista.
A partir de 1967 dedicou-se também ao ensino, lecionando a disciplina de Violoncelo na Associação de Belas-Artes de Cascais (1967-1970); Academia dos Amadores de Música (1971-1974) e, Academia de Música de Santa Cecília (1974-1998). Nesta escola, onde exerceu funções diretivas (1987-1990), foi ainda professor das classes de Orquestra, História da Música e Cultura Artística.
Foi professor de História e Estética da Música nos XVIII Cursos Internacionais de Música da Costa do Estoril (1980); de Preparação Coral e Artística, no INATEL (1983-1984) e de História da Música Sacra, na Escola Diocesana de Música Sacra do Patriarcado de Lisboa (1995-2002).
Colaborou ativamente em iniciativas de divulgação musical, particularmente no que se refere às grandes figuras da música portuguesa promovidas pela Academia de Música de Santa Cecília; Casa Museu João Soares/Fundação Mário Soares; Seminário dos Olivais; Colégio Moderno; Associação dos Professores de História e A.R.T. (Associação dos Residentes de Telheiras) desde 2005.
Lecionou História da Música na U.T.I.L. (Universidade da Terceira Idade do Lumiar) a partir de 2008.


