Pedro Dias de Almeida em Memórias Futuras conversa com João Barradas, um jovem músico, dos mais criativos no panorama do acordeão europeu, que alia a tradição clássica e a improvisação.
Há breves momentos com a capacidade de mudar vidas inteiras.
João Barradas acredita que uma simples apresentação musical no jardim de infância que frequentava teve esse condão. Ficou agarrado ao som daquela estranha caixa com um fole chamada acordeão, tocada por alguém de quem ainda recorda o nome: Carla. Pediu para aprender a tocar esse instrumento e os pais fizeram-lhe a vontade. Tinha seis anos quando foram a Vila Franca de Xira (João vivia no Porto Alto, Samora Correia) comprar um pequeno acordeão azul, que o músico ainda hoje guarda.
Em 2019 foi considerado “rising star” (estrela ascendente) pela ECHO, organização europeia de salas de concertos. Até hoje, foi o único acordeonista a ser distinguido com esse estatuto, que lhe abriu muitas portas.
João tem levado o acordeão para os territórios do jazz, da improvisação e também da música clássica. No seu mais recente disco, The Space Within, tocou com a Orquestra Sinfónica de Hamburgo, sob a direção de Sylvain Cambreling, uma composição do japonês Toshio Hosokawa e o Concerto para Piano n.º 23 em Lá Maior, K. 488 de Mozart.
Por estes dias prepara a apresentação (no Teatro Tivoli BBVA, com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a 8 de junho) do Concerto para Piano n.º 3 de Rachmaninoff numa inédita transcrição para acordeão e orquestra.
Apesar de nunca ter optado por viver e estudar fora de Portugal, a sua carreira é hoje, aos 34 anos, amplamente internacional.
Pedro Dias de Almeida