No bicentenário de Miguel Ângelo Lupi
Serenata Napolitana (c. 1861-1863) [parcial] Aguarela s/ papel, 20,5 x 27,5 cm Museu Municipal de Coimbra, Coleção Telo de Morais - Município de Coimbra © Foto Alvão

No bicentenário de Miguel Ângelo Lupi

A Voz das Cores

No bicentenário de Miguel Ângelo Lupi

No bicentenário de Miguel Ângelo Lupi

A Voz das Cores

O episódio desta semana de A Voz das Cores, da autoria de Andrea Lupi, é dedicado a Miguel Ângelo Lupi nascido a 8 de maio de 1826. Foi um dos mais prestigiados pintores portugueses do século XIX, destacando-se como uma figura central do romantismo e precursor do realismo no retrato em Portugal.

No bicentenário do pintor português Miguel Ângelo Lupi (8/05/1826 – 26/02/1883)

Miguel Ângelo Lupi nasceu em Lisboa a 8 de Maio de 1826, numa família italiana radicada em Portugal desde 1797. Cedo manifestou vocação para as artes e, em Fevereiro de 1841, ingressou na Academia das Belas Artes de Lisboa, onde fez um ótimo percurso. Apesar disso, por questões financeiras, optou por abandonar as Belas Artes e ingressou na Escola Politécnica.

Trabalhou como amanuense na Imprensa Nacional entre 1849 e 51, ano em que foi para Angola, onde passou dois anos. Regressou a Portugal em Setembro de 1853. Trabalhou no Tribunal de Contas, onde se soube do seu talento artístico. Assim surgiu o convite para pintar o monarca D. Pedro V, resultando uma pintura a óleo de grandes dimensões, concluída em 1860.

O sucesso do retrato do rei viabilizou uma bolsa para prosseguir os estudos artísticos – agora na Academia de S. Luca, em Roma, onde viveu entre 1860 e 1863. Já em Lisboa, em 1864, foi nomeado professor interino de Desenho e posteriormente professor de Pintura de História na Academia de Belas Artes, cargo que ocupou até morrer. Em Paris, Miguel Ângelo Lupi contactou com a pintura realista de Gustave Courbet.

A década de 70 do século XIX foi particularmente fecunda em retratos, muito apreciados pela burguesia e aristocracia. É na acutilante e analítica observação de Miguel Ângelo Lupi – e consequente fidelidade na representação – que reside o realismo dos seus retratos, revelando a psicologia e os valores sociais dos retratados.
Em 1881 mudou o seu atelier para os Paços do Concelho, para melhor se dedicar à monumental tela intitulada O Marquês de Pombal examinando os planos da reconstrução de Lisboa.

Página de “O António Maria”, Série I, nº 196, 1 março 1883. Anunciando a morte do pintor, com o desenho e texto de Rafael Bordalo Pinheiro: “A mão por ele educada no trabalho, consagra-lhe hoje, a traços mal firmes, este último testemunho do seu afeto e da sua infinita saudade”.

A obra ficou incompleta – no final do Verão de 1882, Miguel Ângelo Lupi manifestou sintomas de doença hepática, vindo a falecer a 26 de Fevereiro de 1883, aos 56 anos de idade.
Miguel Ângelo Lupi teve um percurso artístico não linear, quer por ter enveredado por outras atividades profissionais, quer por estar entre duas correntes estéticas – romantismo e realismo.

Como professor, marcou gerações vindouras, nomeadamente através das suas propostas de reforma da Academia de Belas Artes, que foram adotadas.

Os inúmeros esboços que deixou revelam a ênfase que dava ao desenho, sempre muito presente na sua pintura. Exímio observador, era um apaixonado pela figura humana, que representava nas suas profissões (pintura de costumes), retratos ou pintura histórica, com composições encenadas.

O programa conta com música de Francisco da Sá Noronha, Antonio Vivaldi, Adolfo Fumagalli, César Franck, Anton Rubinstein, Carl Reinecke e Edouard Lalo.
Andrea Lupi

Camponesa (1875)
Aquarela sobre papel
31 x 21,5
© Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves
Créditos fotográficos: MMP | ADF | CMAG
A Aguadeira (c. 1879)
Óleo sobre tela
51 x 37,8
© Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves
Créditos fotográficos: MMP | ADF | CMAG
Senhora ao luar, s.d.
Óleo s/ cartão, 28 x 20 cm
Museu Municipal de Coimbra, Coleção Telo de Morais
 Município de Coimbra © Foto Alvão
Serenata Napolitana (c. 1861-1863)
Aguarela s/ papel,
20,5 x 27,5 cm
Museu Municipal de Coimbra, Coleção Telo de Morais
 Município de Coimbra © Foto Alvão
Retrato de Filipe Folque (1875)
Óleo sobre tela
77,5 x 62,5
© Palácio Nacional da Ajuda
Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E / Arquivo de Documentação Fotográfica
Retrato de mulher em costume romano do campo (1864)
Óleo sobre tela
56 x 40
© Palácio Nacional da Ajuda
Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E / Arquivo de Documentação Fotográfica
Retrato de guerreiro (1864)
Óleo sobre tela
72,5 x 58
© Palácio Nacional da Ajuda
Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E / Arquivo de Documentação Fotográfica
Meditando ao Luar (1870)
Óleo sobre tela
69 x 54
© Palácio Nacional da Ajuda
Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E / Arquivo de Documentação Fotográfica
O marquês de Pombal examinando os planos para a reconstrução de Lisboa (1881-1883)
Óleo s/tela
1,524 × 1,966 m
Museu de Lisboa
Palácio Pimenta
Aguadeira de Coimbra (1879)
Óleo sobre tela
105,6 x 75,8 cm
© Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado
Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E / Arquivo de Documentação Fotográfica
Fotografia de Arnaldo Soares