Maurice Ravel é o Compositor do Mês em maio. De segunda a sexta-feira na Antena 2, vamos ouvir música sua nas emissões diárias, em edições especiais ou em programas como A Nossa Orquestra, A propósito da Música, O Canto do Blues, Jazz a 2, entre outros. E todas as quartas-feiras acompanhamos um percurso pela vida e obra do compositor, conduzido por Andrea Lupi.
Ravel IV – Pós-guerra e as obras finais 1920 – 1937
Mais est-ce qu’il ne vient jamais à l’idée de ces gens-là que je peux être artificiel par nature?
Mas não passa sequer pela cabeça das pessoas que eu possa ser artificial por natureza?
Unanimemente considerado o mais importante compositor francês após a morte, em 1918, de Claude Debussy, Maurice Ravel (1875–1937) sentiu o peso desta responsabilidade e optou por se mudar, em 1921, para a pequena localidade de Monfort -L’Amaury, perto de Paris, onde viveria o resto da sua vida.
De caráter reservado, quase nada se sabe da sua vida emocional e afetiva, restringida a um seleto grupo de pessoas da sua confiança. Tinha um extremo aprumo na sua aparência e imagem pública.

Maurice Ravel nos Reales Alcázares de Sevilla, 1935 @ Real Academia de Bellas Artes de San Fernando
Exímio orquestrador, Ravel soube, como poucos, usar as cores da orquestra – e do piano, o seu instrumento – para exaltar e criar mundos que revelam as suas paixões: o gosto pelos mecanismos, pelos animais, por mundos oníricos e fantasiosos, mas também pelo jazz, que conheceu em primeira mão numa digressão de vários meses pelos Estados Unidos da América.
Estas paixões estão presentes nas obras finais – nos dois concertos para piano e também no Bolero, a sua obra mais tocada.
O ano de 1932 marcou o seu declínio. Afetado por um raro tipo de demência, doença de Pick, Ravel foi perdendo faculdades cognitivas até ser submetido a uma cirurgia cerebral, falecendo poucos dias depois, a 28 de Dezembro de 1937, aos 62 anos de idade.
Andrea Lupi
