Em A Volta ao Mundo, a viagem de André Pinto vai, neste episódio, até ao álbum de colaboração entre o guitarrista do Mali, Ali Farka Touré, e o guitarrista e produtor norte-americano Ry Cooder.
Talking Timbuktu – Ali Farka Touré com Ry Cooder: A história do disco.
Da plantação para o estúdio – sucesso artístico e comercial
Talking Timbuktu, álbum de colaboração entre o guitarrista do Mali Ali Farka Touré e o guitarrista e produtor norte-americano Ry Cooder, é gravado no mês de Setembro de 1993 e editado no ano seguinte.
Três anos antes, em 1990, Touré tinha-se afastado completamente da música para se dedicar à sua plantação de arroz. Acaba depois por ser convencido pelo produtor a voltar a tocar guitarra para as gravações daquilo que viria a ser Talking Timbuktu, de 1994.
Talking Timbuktu apresenta-o a cantar em 11 línguas e a tocar guitarra acústica e elétrica, banjo de seis cordas, percussão e njarka, um instrumento com uma corda, feito a partir duma cabaça.
O disco reflete uma parceria inteligente com um elenco de estrelas que inclui: o contrabaixista / estrela jazz John Patitucci, o baterista de estúdio Jim Keltner, o respeitado guitarrista de blues Clarence Gatemouth Brown e percussionistas e músicos africanos como Hamma Sankaré e Oumar Touré nas congas.
Ry Cooder já antes tinha feito parceria com o músico indiano V.M. Bhatt, em 1990. Depois da parceria com Ali Farka Touré, mas ainda nos anos noventa, Cooder havia de desempenhar um papel significativo no aumento da valorização da música tradicional cubana, através do álbum Buena Vista Social Club.
Quanto a Talking Timbuktu, este disco torna-se no trabalho mais bem recebido de Touré até então, valendo-lhe em 1994 um Grammy para Melhor Álbum de World Music. Em 2009, o álbum recebe a certificação de ouro da Independent Music Companies Association, comprovando vendas de pelo menos 100 mil cópias em toda a Europa.
Apesar de tudo, na altura Touré considerou todo o sucesso desgastante para a sua vida pessoal e voltou a dedicar-se à plantação.
Não lançou um disco novo durante mais cinco anos; finalmente quebrou o silêncio em 1999 mas com um álbum que descartava a abordagem colaborativa e privilegiava um regresso às suas origens musicais.
André Pinto
