No passado mês de junho, Os Músicos do Tejo apresentaram em concerto Festa de Modinhas e Lunduns, dedicado à música do Século XVIII, em Português na Academia das Ciências
de Lisboa.
Na Academia das Ciências de Lisboa foram interpretadas, algumas modinhas pela primeira vez na atualidade, fruto da investigação e edição moderna levada a cabo pel’Os Músicos do Tejo, assim como algumas das modinhas mais conhecidas.
Os Músicos do Tejo
Festa de Modinhas e Lunduns
Música do Século XVIII em Português
Direção: Marcos Magalhães, Marta Araújo
Direção Musical: Marcos Magalhães
Vozes: Joana Seara, João Fernandes, Marco Oliveira, Dara Haniel e Suzana Francês
Violinos: Nuno Mendes, Denys Stetsenko, Raquel Cravino e Álvaro Pinto
Viola: Pedro Braga Falcão
Violoncelo: Ana Raquel Pinheiro
Contrabaixo: Vicente Magalhães
Percussão: Jarrod Cagwin
Cravo: Marta Araújo, Marcos Magalhães
Programa
Ralham todos de qu’eu ame
Modinha a duo de anónimo com poesia de Domingos Caldas Barbosa (c.1738-1800) para 2 vozes, cravo, percussão, violino, contrabaixo
As vagas sombras dispersas
Terceto de José Palomino (1755-1810) para 3 vozes a capella
Das meiguices brasileiras
Modinha a duo de anónimo com poesia de Domingos Caldas Barbosa (c.1738-1800) para 2 vozes, cravo, percussão, violino, contrabaixo
Amor, tu pudeste
Modinha a duo de anónimo com poesia de Domingos Caldas Barbosa (c.1738-1800) para 2 vozes, cravo, percussão, violino, contrabaixo
O meu manso gado
Modinha brazileira de Joaquim Manuel da Câmara (c.1780 – c.1840?) para voz, orquestra cordas, cravo, percussão
Toda a minha alma se abrasa amante
Ária extraída da ópera ao gosto português As Variedades de Proteu (1737) de António Teixeira (1707-1774) com texto de António José da Silva (1705-1739) para voz, orquestra cordas, cravo
De penas tão fortes
Ária anónima extraída da Colectânea de Árias para soprano [entre 1760 e 1790] da Biblioteca Nacional de Portugal para voz, orquestra cordas, cravo
Vem chegando a madrugada
Ária anónima extraída da Colectânea de Árias para baixo [entre 1760 e 1790] da Biblioteca Nacional de Portugal para voz, orquestra cordas, cravo
A nova conquista
Moda a três vozes do Zabumba de António Leal Moreira (1758-1819) para 2 vozes, cravo, percussão, violino, contrabaixo
O dextro sagaz cupido
Modinha a duo do Entremez do Mizeravel, cantada no Theatro Nacional da Rua dos Condes de José Palomino (1755-1810) para 2 vozes, orquestra cordas, cravo, percussão
Três minuetes para cravo de Carlos Seixas (1704-1742), orquestrados por Marcos Magalhães para cordas, cravo solo
Soneto de Guerras do Alecrim e Manjerona de António José da Silva (1705-1739) para voz falada
Ganinha, minha ganinha e Os efeitos da ternura
Peças vocais anónimas e momento lundum (improvisação instrumental) para 2 vozes, cravo, guitarra, percussão, violino, contrabaixo
Já gozei da liberdade
Moda de improviso de José Rodrigues de Jesus (fl. 1796-1801) para 2 vozes, cravo, percussão, violino, contrabaixo
Eu nasci sem coração
Modinha a duo de anónimo com poesia de Domingos Caldas Barbosa (c.1738-1800) para 2 vozes, cravo, percussão, violino, contrabaixo
Trio-sonata I em Ré Maior (Allegro – Adagio – Allegro)
De Pedro António Avondano (1714-1782) para cordas e cravo
Oylé minha moça
Ária anónima extraída da Colectânea de Árias para baixo [entre 1760 e 1790] da Biblioteca Nacional de Portugal para voz, orquestra cordas, cravo
Não posso deixar de amar-te
Ária anónima extraída da Colectânea de Árias para soprano [entre 1760 e 1790] da Biblioteca Nacional de Portugal para voz, orquestra cordas, cravo
Os fios qu’amor fabrica
Duetto que se cantou no Theatro nacional da Rua dos Condes de José Palomino (1755-1810) para 2 vozes, orquestra cordas, cravo, percussão
Menina que vive à moda
Modinha de José Palomino (1755-1810) para voz, orquestra cordas, cravo
Já estou livre das prisões
Duetto no Entremez do Mizeravel cantado no Theatro Nacional da Rua dos Condes de José Palomino (1755-1810) para 2 vozes, orquestra cordas, cravo, percussão
A Modinha é, de modo geral, um tipo de canção em português dos séculos XVIII e XIX, que engloba estilos musicais, influências e temáticas muito variadas. Apesar de serem um género relativamente pouco conhecido – particularmente em comparação com a música operática sua contemporânea – conhecem-se as partituras de mais de oito centenas de modinhas, estando a grande maioria ainda a aguardar uma estreia moderna.
As modinhas são parte inseparável da história d’Os Músicos do Tejo (dir. Marcos Magalhães e Marta Araújo), tanto em apresentações ao vivo como na sua produção discográfica – As Sementes do Fado (2008) e From Baroque to Fado (Naxos, 2017) – com a soprano Ana Quintans, o guitarrista Ricardo Rocha e o fadista Ricardo Ribeiro – mostrando como as modinhas podem ser pretexto para questionamentos criativos sobre a interpretação da música do nosso passado.
Este concerto contou com um elenco de cantores de luxo oriundos de diversos panoramas musicais:
o Canto Lírico – com a soprano Joana Seara e o baixo João Fernandes –, o Fado – com o cantor Marco Oliveira –, e a Música Africana – com as cantoras Dara Haniel e Suzana Francês.
Este concerto foi gravado e filmado ao vivo e é uma iniciativa d’Os Músicos do Tejo em parceria com
a Antena 2, a RTP Multimédia e a Academia das Ciências de Lisboa.
Os Músicos do Tejo têm o apoio da República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes e da Câmara Municipal de Lisboa.
Fotos: Inês Sioga / Antena 2
Gravação vídeo: Antena 2
Gravação áudio: Luís Marques / Antena 2
Pós-produção: Pierre Lavoix