A elegante ópera de Strauss traz o glamour e o encanto da Viena do século XIX para o palco do Met, numa produção sumptuosa do lendário diretor Otto Schenk, “tão bela quanto se poderia esperar”, segundo The New York Times.
Temporada Metropolitan Opera
de Nova Iorque
14 fevereiro | 18h00
Richard Strauss | Arabella
No Metropolitan Opera House de Nova Iorque, a 22 de novembro de 2025, subiu à cena Arabella, de Richard Strauss, uma das suas óperas mais elegantes e melancólicas.
Rachel Willis‑Sørensen deu vida a uma Arabella luminosa, ao lado de Louise Alder, uma Zdenka de grande sensibilidade. Tomasz Konieczny destacou‑se como Mandrycka, figura central do drama, com Pavol Breslik como Matteo. O elenco reuniu ainda Karen Cargill, Brindley Sherratt e Julie Roset, entre muitos outros.
A Orquestra e o Coro do Metropolitan, sob a direção de Nicholas Carter, sublinharam a escrita luxuosa e subtil de Strauss, onde cada detalhe orquestral serve a psicologia das personagens.
Arabella foi a última colaboração entre Richard Strauss e Hugo von Hofmannsthal — uma despedida marcada por nostalgia, elegância e um olhar crepuscular sobre o fim de uma época.
Compositor e libretista criaram uma comédia de enganos em torno de Arabella, jovem donzela vienense cujos pais depauperados tentam casar para salvar as finanças familiares. Mas a protagonista, interpretada pela notável soprano Rachel Willis-Sørensen, deseja encontrar o amor sem constrangimentos.
Embora com certos elementos da farsa operística presentes, há uma grande elegância na obra, e os percursos das suas personagens são comoventes e tocantes à sua maneira. A personagem-título — honesta, pura e bem-intencionada — é uma dos personagens mais cativantes e verossímeis da ópera.
Arabella passa-se em Viena por volta de 1860. O contexto histórico que impulsiona a trama é a situação de uma aristocracia rural decadente que tenta manter as aparências enquanto se sente um tanto perdida no caldeirão cultural urbano moderno.
A partitura de Arabella é bela e encantadora, com uma riqueza de melodias líricas perfeitamente afinadas às exigências da história e das personagens. Os domínios mais sublimes de Strauss — a sua escrita para soprano e para orquestra — manifestam-se magnificamente ao longo de toda a partitura, sendo o solilóquio introspetivo da personagem principal no primeiro ato apenas um exemplo deslumbrante. Strauss também utiliza a orquestra para criar efeitos inesquecíveis, principalmente na notável e comovente cena final, em que o ouvinte é transportado para uma experiência musical de perdão, sabedoria e o florescimento do amor verdadeiro.
A estreia desta ópera ocorreu a 1 de julho de 1933, em Dresden, no Sächsisches Staatstheater.

Transmissão da gravação
realizada em The Metropolitan Opera de Nova Iorque
a 22 de novembro de 2025
Realização e Apresentação: André Cunha Leal
Produção: Susana Valente

Ficha técnica
Arabella: Rachel Willis-Sørensen (S)
Zdenka: Louise Alder (S)
Matteo: Pavol Breslik (T)
Mandryka: Tomasz Konieczny (BT)
Conde Waldner: Brindley Sherratt (B)
Vidente: Eve Gigliotti (S)
Condessa Adelaide von Waldner: Karen Cargill (MS)
Conde Elemer: Evan LeRoy Johnson (T)
Conde Dominik: Ricardo José Rivera (BT)
Conde Lamoral: Ben Brady (B)
Welko: Marc Persing (T)
Fiakermilli: Julie Roset (S)
Walter: Scott Scully (T)
Djura: Craig Montgomery (B)
Jankel: Timothy Breese Miller (T)
Coro e Orquestra do Metropolitan
Direção de Nicholas Carter

Fotos Met Opera