Bosch Beach | 20 e 21 Outubro

Bosch Beach | 20 e 21 Outubro

Teatro Maria Matos

Bosch Beach | 20 e 21 Outubro

Bosch Beach | 20 e 21 Outubro

Teatro Maria Matos

20 e 21 Outubro | 21h30
Ópera – Ciclo Utopias
Bosch Beach*
Música de Vasco Mendonça
Libretto de Dimitri Verhulst

Encenação de Kris Verdonck
Dramaturgia de Kristof Van Baarle


Rodrigo Ferreira (contratenor)
Damien Pass (baritono)
Marion Tassou (soprano)
Orquestra criação: ASKO Schönberg


Bosch Beach | 20 e 21 Outubro


Hieronymus Bosch

 é um dos pintores mais misteriosos na história da arte nos Países Baixos. 

Por ocasião do 500º aniversário da sua morte, LOD junta o compositor Vasco Mendonça (1977), o escritor Dimitri Verhulst (1972) e o encenador Kris Verdonck (1974) para fazerem uma produção de teatro musical baseada na obra de Bosch. Os seus quadros são conhecidos pelas criaturas peculiares em cenários bizarros. As cenas, muitas vezes sinistras, como em O Jardim das Delícias Terrenas e O Juízo Final, combinam um julgamento severo em relação ao pecado com a vida quotidiana da época de Bosch. Enquanto cristão devoto no dealbar do humanismo, via comportamentos sexuais ilícitos, ganância, gula, estupidez, violência e vaidade a toda a sua volta, e então decidiu que o inferno era na terra. As personagens nos seus quadros estão empaladas, semidevoradas, correm nuas por entre incêndios e encontram-se num mundo onde os pássaros são do tamanho de pessoas e as árvores têm olhos. No entanto, estas figuras não estão a sofrer – será isto um sintoma da sua ignorância, ou da sua escolha de viver assim?
Bosch Beach | 20 e 21 Outubro

Em Bosch Beach, a ideia do inferno na terra é tomada como ponto de partida para uma visão sobre o mundo de hoje através dos olhos de Bosch. Como seria o inferno hoje? Talvez fosse como o autor de ficção científica J. G. Ballard tantas vezes o descreveu: um mundo com a pequena-burguesia espraiada à beira de uma piscina, comprazendo-se na inércia da sociedade de consumo, com uma orquestra residente a tocar em pano de fundo. No tempo de Bosch, havia a noção de “Falso Paraíso”. As pessoas vivem naquilo que, à primeira vista, parece ser “o melhor dos mundos possíveis”, mas visto de outra perspetiva este falso paraíso não é muito diferente do inferno na terra.


Onde está o falso paraíso dos nossos dias, o nosso inferno na terra? Onde é que a moralidade e a responsabilidade fazem um apelo à humanidade? Verdonck opta pela praia de Lampedusa, um lugar lindíssimo, onde os turistas tomam banhos de sol e nadam no mar cristalino das praias de areia branca. Tomando banhos de sol nas praias esplêndidas de Lampedusa enquanto refugiados dão à costa, esse poderia ser o inferno na terra do século XXI.
Bosch Beach | 20 e 21 Outubro


Bosch Beach
joga com a ambiguidade deste lugar e com as impossíveis questões de culpa que traz consigo. Confrontados com o fluxo de refugiados, não só em Lampedusa, mas agora também em Calais, Kos, Macedónia e por aí adiante, há um forte apelo moral. Será que devemos cuidar destas pessoas? Para além desta questão, o problema da responsabilidade pela situação global é ainda mais complexo. Não seremos nós, no Ocidente rico, os responsáveis pela pobreza e pelas guerras em África? Não mantemos nós o nosso estilo de vida à custa dos padrões de vida e da estabilidade noutros continentes? E, neste caso, será que podemos e devemos sentir-nos responsáveis enquanto indivíduos? E em consequência disso, como deveríamos então agir?

Bosch Beach | 20 e 21 Outubro
Gravação e posterior transmissão pela Antena 2
Esta ópera vai ser gravada pela Antena 2, e posteriormente transmitida. 
Oportunamente será dada informação sobre esta emissão.
Produção: Alexandra Louro de Almeida

* Encomenda Teatro Municipal Maria Matos


Produção: LOD muziektheater
Coprodução: Jheronimus Bosch 500 Foundation, A Two Dogs Company, Kaaitheater, Maria Matos Teatro Municipal, House on Fire, ASKO Schönberg, Concertgebouw Brugge, Fundaçao Calouste Gulbenkian, Theater Mousonturm Frankfurt
Em colaboração com: Flanders e o programa “Holanda Convidado de Honra” na Feira do Livro de Frankfurt 2016, Klarafestival Brussel
Crédito fotográfico: Museo Nacional del Prado, em colaboração com: Gulbenkian Música

Uma coprodução da rede House on Fire, com o apoio do Programa Cultura da União Europeia