A 8 de setembro, dia em que se assinala o centenário do nascimento de Peter Sellers (1925-1980), a Antena 2 percorre o seu legado num programa especial da autoria de Inês N. Lourenço.
Também o programa Banda Sonora dedica a este ator um episódio de homenagem que é transmitido na véspera e repetido no dia do centenário.
8 setembro | 22h00
100 anos de Peter Sellers – o homem que nunca existiu
Por Inês N. Lourenço
Entre filmes, música e um rol de personagens, a crítica de cinema Inês N. Lourenço passeia pela memória do homem das mil vozes, que foi Inspector Clouseau e Dr. Estranhoamor, Hrundi V. Bakshi e Mr. Chance, numa obra extensa e incompleta.
O maior comediante de todos os tempos?
Muitos assim o definiram. Mas por trás da alta performance deste grande ator britânico estava uma alma atormentada, o medo de não sobrar nada de si quando despido dos sucessivos papéis no ecrã…
Por vezes, vários no mesmo filme.

A personagem titular de Dr. Estranhoamor (1964), de Stanley Kubrick
Peter Sellers nasceu em Southsea, um subúrbio de Portsmouth, no sul de Inglaterra, filho de artistas de vaudeville. Pouco depois de atingir a maioridade, venceu um concurso de talentos e pensou em tornar-se baterista profissional – o que o levou a fazer parte de números cómicos e musicais que entretinham os soldados britânicos durante a Segunda Guerra Mundial. Aí desenvolveu a destreza mímica e, curiosamente, abandonou os planos de baterista para se dedicar a tempo inteiro à comédia, começando em 1951, ao lado de Spike Milligan e Harry Secombe, no programa de rádio The Goon Show, e continuando na televisão e no cinema, onde se converteu numa estrela da elasticidade vocal.
Claro, A Pantera Cor-de-Rosa (1963) e Dr. Estranhoamor (1964) lideram a lista dos títulos mais populares da filmografia de Peter Sellers. Mas há um mundo de interpretações que cimentaram a sua imagem junto do público, assim como a fervorosa admiração dos seus pares.
O ator morreu em Londres, a 24 de julho de 1980, vítima de ataque cardíaco.
Inês N. Lourenço é jornalista e crítica de cinema do Diário de Notícias e Antena 2 (programa A Grande Ilusão). Mestre em Ciências da Comunicação – Cinema e Televisão pela Universidade Nova de Lisboa, colabora também na revista Metropolis, mais esporadicamente no site À Pala de Walsh, e é autora da série Afinidades Electivas – Encontros do Cinema com a Literatura, na mesma rádio. Foi jornalista em Câmara Clara, na RTP 2, estagiou no núcleo de programação da Cinemateca Portuguesa, e tem textos publicados nos livros Paulo Rocha – As Folhas da Cinemateca, O Cinema Não Morreu: Crítica e Cinefilia À Pala de Walsh e O Cinema das Palavras – Entrevistas À Pala de Walsh.
7 setembro | 16h00 || 8 setembro | 13h00 (repetição)
Banda Sonora
Peter Sellers e A Vingança da Pantera Cor-de-rosa
por Mafalda Serrano
Tudo poderia ser cinzento na paisagem bucólica e invernosa. O automóvel desliza e os sopros acompanham um certo homem que caminha, salta a vedação, espera-o um outro, já de arma de caça em riste. Ambos impecáveis nos seus fatos condizendo com a tranquilidade inquieta que paira sobre a paisagem. Trocam algumas palavras, soa repentinamente um tiro e a ave colorida cai na relva da circunferência linear da cerca.
A celebração do centenário de nascimento de Peter Sellers convida à revisitação, na Antena 2, de alguns dos seus filmes mais icónicos.
Iniciamos o mês de Setembro reencontrando o inesquecível Inspector Jacques Clouseau e algumas das mais admiráveis páginas musicais da história da sétima arte. Neste episódio recordamos a música que Henry Mancini compôs para o filme A Vingança da Pantera Cor-de-rosa (1978) de Blake Edwards.