O especial Amadeus e Mozart parte do filme Amadeus de Milos Forman e dos textos e criações que o inspiraram para separar a verdade e a ficção nos retratos de Mozart e Salieri.
O filme Amadeus (1984) de Milos Forman foi um dos maiores sucessos de bilheteira do seu tempo e arrebatou oito Óscares, entre os quais os prémios nas categorias de Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Adaptado ou Melhor Ator, aqui distinguindo F. Murray Abraham, que então vestiu a pele de Salieri. Vale a pena lembrar que Tom Hulce, que interpretou a figura de Mozart, foi igualmente nomeado nesta mesma categoria.
O filme foi adaptado a partir de uma peça de teatro homónima, de Peter Shaffer, estreada em palco em Londres em 1979. O dramaturgo (que trabalhou na adaptação do seu próprio texto ao filme de Milos Forman) encontrou, por sua vez, a inspiração para o seu ‘Amadeus’ num texto de Alexander Pushkin. Datado de 1830, Mozart e Salieri não era de todo um relato dos factos, mas uma trama de ficção que tomava os dois compositores como protagonistas de uma história sobre talento, rivalidade, inveja e vingança (que inspiraria também Rimsky-Korsakov a compor uma ópera com este mesmo título, estreada em 1897).
Talvez mais do que o texto de Pushkin, a ópera de Rimsky-Korsakov ou a peça de Peter Shaffer, o filme Amadeus, pela dimensão popular que alcançou, lançou sobre a memória coletiva um conjunto de visões sobre Mozart, Salieri e outras figuras do seu tempo que não correspondem, apesar do cuidado da direção artística, à verdade dos fatos. Não se trata de algo que se compare a uma ideia de “fake news”, porque estamos perante obras de ficção.
É do confronto entre os factos e as visões que estes sucessivos herdeiros do texto de Pushkin foram colocando em cena que vive o programa especial Amadeus e Mozart que a Antena 2 apresenta este domingo, às 16h00. Pedro Rafael Costa (da Antena 2) e Rui Alves de Sousa (da Antena 1) refletem, sob moderação de Nuno Galopim, sobre as memórias factuais e as criações destas narrativas, procurando separar realidade e ficção sobre Mozart, Salieri e a música do seu tempo.
O especial conta ainda com entrevistas com os atores Diogo Infante e Ivo Canelas que, em 2011, vestiram respetivamente as peles de Salieri e Mozart na produção de Amadeus, com encenação de Tim Caroll, que foi então apresentada no Teatro Nacional D. Maria II.
Nuno Galopim