Pons Varolii, obra do pianista e compositor Simão Costa, é um diálogo entre o piano, a orquestra do séc. XXI e o som produzido pelos veículos sobre a ponte 25 de Abril, e teve a sua estreia absoluta a 18 de julho de 2026 na Sala Luís Miguel Cintra do São Luiz Teatro Municipal.
A RTP Antena 2 gravou o concerto e no dia do 60º aniversário da inauguração da Ponte 25 de Abril, esta 5ª feira, dia 6 de agosto, transmite-o pelas 16h00.
PONS VAROLII
Quando os sons da ponte se transformam em música
Direção artística, Composição e Piano Simão Costa
Vídeo Mário Melo Costa
Maestro Pedro Neves
Orquestra Metropolitana de Lisboa
PONS VAROLII nasce de um fascínio pelos sons do tabuleiro da Ponte 25 de Abril — do prazer de escutar a envolvente urbana e de imaginar música a partir desses estímulos.
A composição de Simão Costa coloca em diálogo o piano expandido, a orquestra no século XXI e o som produzido pelos veículos ao passar na rede metálica da ponte, captado e transformado em matéria musical.
Celebrando os 60 anos da Ponte 25 de Abril — que por décadas se chamou Salazar e hoje é símbolo da liberdade conquistada —, este concerto associa-se ao evento internacional World Listening Day, dedicado à escuta atenta da paisagem sonora que nos rodeia.
O aclamado realizador e diretor de fotografia Mário Melo Costa foi convidado a «olhar» a ponte da mesma forma que Simão Costa a «ouvia», criando uma componente videográfica que não ilustra a música, mas participa na sua construção.
Pons, do latim «ponte», é também o nome de uma estrutura do cérebro humano — o Pons Varolli —, parte do chamado cérebro reptiliano, a região mais primitiva do nosso sistema nervoso, responsável por funções vitais como a respiração, os batimentos cardíacos, os instintos básicos de sobrevivência. O pons varolii faz a ponte entre estas funções e as zonas mais evoluídas do córtex cerebral.
O título é, assim, uma dupla homenagem: à engenharia e à biologia, à arquitetura e ao instinto, à memória e à liberdade.
Uma homenagem à liberdade, à que temos e a que está por vir, e à necessidade de criar ligações entre margens. Num mundo aparentemente muito polarizado, em que nos sentimos marginais uns dos outros, pontes e liberdade são mais do que uma necessidade — são um exercício imperativo do dia a dia, um gesto de fruição de uma sociedade livre que se quer manter dessa forma.
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