3 março | 21h00
O Caracal, de Judith Herzberg
Tradução Lut Caenen e Filipe Ferrer
Com Sofia Aparício e Andreia Bento
Direção Andreia Bento
Sinopse
Uma mulher fala ao telefone. Sozinha. Em casa. Compulsivamente, constrói à volta do seu deserto de solidão uma teia de relações. Ela espera pela tal chamada. Pela tal pessoa. Por quem se apaixonou há um ano. Mas nesse desespero esta mulher irá encontrar uma esperança. Ela quebrará com o passado, com o caracal (estranho animal doméstico que partilha com o ex-namorado), e sentar-se-á esperançosa na sua espera, no sofá, a ouvir o telefone tocar. Será a tal chamada?
MULHER Apaixonada pela primeira vez, há um ano.
Casado claro. Casamento falhado etc. Ficou louco por mim, imediatamente, quer divorciar-se, promete, suplica, etc. Eu digo: não, nada disso, se daqui a um ano estiveres divorciado, telefona-me, entretanto nada de contactos. Nada de nos vermos, nada de telefonemas, nada de cartas. Isto foi há um ano e por isso agora passo a vida colada ao telefone.
Judith Herzberg, O Caracal

Judith Herzberg Nasceu em Amesterdão em 1934. As suas primeiras publicações de poesia foram no início dos anos 60. Judith Herzberg é também autora de ensaios, argumentos cinematográficos, e várias traduções. Recebeu vários prémios entre eles, em 1997, o prémio PC Hooft de grande prestígio nos Países Baixos. Tem peças traduzidas em alemão, inglês, português, francês e italiano. Disse uma vez: “Evito afirmações moralistas nas minhas peças. Tento que o público possa experimentar a mesma confusão que eu, quando observo a realidade.”
A sua obra poética iniciou-se com Zeepost (1963), a que se seguiram Beemdgras (1968), Vliegen (1970), Strijklicht (1971), 27 Liedesliedjes (1971), uma adaptação do Cântico dos Cânticos, Botshol (1981), Dagrest (1984), Twintig gedichten (1984), Dat Engels geen au heeft (1985), Zoals (1987), Doen en laten (1994), Wat zij wilde schilderen (1996), Landschap (1998), Bijvangst (1999), Staalkaart (2000), 10 mooiste gedichten (2002), Soms vaak (2004). Uma breve antologia sua foi publicada na Revista DiVersos nº 7.
No teatro podem destacar-se: De deur stond open (1972), Het is geen hond (1973), Dat het ‘s ochtends ochtend wordt (1975), Leedvermaak [Os Casamentos de Lea] (1982), En/of (1985), Merg (1986), De kleine zeemeermin (1986), De Caracal (1988), Kras (1989), Een goed hoofd (1991), Rijgdraad (1995), De Nietsfabriek (1997), Een golem (1998), Lieve Arthur (2000), Simon (2002) e Vielleicht Reisen (2004).
Sofia Aparício Nasceu em 1970. Frequentou o curso de Gestão de Empresas da Universidade Católica Portuguesa. Trabalha como manequim desde 1985. Estreou-se em teatro no TEC n’A Dama das Camélias de Dumas Filho (enc.: Carlos Avilez), tendo depois trabalhado no Teatro Aberto em A Última Batalha (enc.: Fernando Heitor), Paisagens Americanas (enc.: Rui Pedro Tendinha e João Lopes) e O Bosque (enc.: João Lopes). Trabalhou na televisão como apresentadora e como actriz. No cinema, trabalhou com José Nascimento, Alberto Seixas Santos, Solveig Nordlund, John Frey, Jorge Queiroga, Maria João Freitas, Raoul Ruiz e Nicolau Breyner.
Andreia Bento Tem a Licenciatura da ESTC. Realizou o estágio profissional-curricular nas produções dos Artistas Unidos. Como actriz trabalhou no Pogo Teatro, Teatro Infantil de Lisboa, Teatro da Malaposta com Ana Nave, Teatro Aberto com José Wallenstein e na curta-metragem A Rapariga no Espelho de Pedro Fortes. Autora dos textos para o programa de Cowboy Mouth de Sam Shepard, com encenação de Francisco Salgado. Colabora com os Artistas Unidos desde 2001, trabalhando como assistente de encenação, diretora de projeto, actriz e encenadora.
Produção: Cristina do Carmo / Artistas Unidos