A Grande Guerra, a pneumónica, a Noite Sangrenta, as greves e os atentados, a burla de Alves dos Reis… O primeiro quartel do século XX foi particularmente turbulento. Depois de instaurada a República em 1910, os governos sucedem-se a uma velocidade vertiginosa – 45 em dezasseis anos –, num ambiente de conspiração quase permanente. Multiplicam-se os golpes, incluindo aquele que transforma Sidónio Pais num meteórico “presidente-rei”. O Partido Democrático, hegemónico, abafa alternativas até pôr quase toda a gente de acordo: é preciso uma mudança.
Em Maio de 1926, um grupo de militares (com o incentivo e o aplauso de muitos civis) apeou António Maria da Silva, o derradeiro presidente do Ministério (como então se chamava ao chefe do governo) da Primeira República e também o presidente Bernardino Machado. Mas os golpistas não tinham todos as mesmas ideias. Alguns, como Mendes Cabeçadas, pretendiam uma pausa para regenerar o regime, criando condições para que as instituições políticas pudessem funcionar de modo eficaz. Outros, como Sinel de Cordes estavam contra o sistema de partidos políticos. A Ditadura Militar, que ainda enfrentou grande resistência, acabou por abrir caminho ao Estado Novo, desenhado por Salazar.
Nesta série documental de 4 episódios, com a ajuda de vários historiadores, a RTP Antena 2 propõe uma viagem no tempo. Lembramos como era o país há um século, identificamos as motivações essenciais para o golpe, recordamos os contornos da ação militar e as suas consequências. Um século volvido, com os populismos em alta em vários países, avalia-se também a utilidade e atualidade de uma reflexão sobre este período da História.
O Golpe que derrubou a Primeira República tem música original e pós-produção áudio de Paulo Cavaco, pesquisa de arquivo de Sónia Ferreira e realização de João Paulo Baltazar.