Arvo Pärt é o músico em destaque neste episódio de O Nosso Tempo. Muitas vezes é citado como um dos principais compositores minimalistas europeus, mas apesar de algumas afinidades com os seus contemporâneos nascidos no outro lado do Atlântico, é autor de uma obra que revelou desde cedo ser formalmente bem distinta e profundamente pessoal.
Arvo Pärt nasceu em Paide, na Estónia, a 11 de setembro de 1935. Viveu os dias de juventude e parte da vida adulta sob o poder soviético. Mesmo vivendo longe de Moscovo e de um escrutínio mais atento sobre o trabalho dos músicos que existia na capital e grandes centros urbanos, algumas das suas obras foram alvo de censura. O descontentamento que foi sentindo acabou por conduzi-lo a um repensar das ideias musicais.
Antes da mudança para o Ocidente, nos anos 70, e numa etapa de aproximação à Igreja Ortodoxa, Arvo Pärt passou por um longo período de silêncio meditativo, durante o qual estudou o cantochão e as primeiras formas de polifonia. E da reflexão que se seguiu a esta meditação nasceram então novas ideias, entre as quais um estilo muito pessoal, habitualmente descrito como “tintinnabuli”, ou seja, que sugere discretos sons de sinos, mesmo muito discretos.
Agora, aos 90 anos, Arvo Pärt tem parte da sua atenção no Arvo Pärt Center, que fica numa aldeia (na aldeia de Laulasmaa), a cerca de 40 quilómetros de Talin. O centro foi criado em 2015 e tem por objetivo preservar o legado criativo do compositor. Inclui um instituto de investigação, um centro educativo, uma sala de concertos (que permite fazer gravações), um museu e, claro, um grande arquivo, que em parte pode ser consultado online.
Nuno Galopim