Com importante trabalho criado para o cinema e o teatro, mas também com as salas de concerto e outros discos como parte do seu percurso, escutamos neste episódio de O Nosso Tempo, a compositora e pianista grega Eleni Karaindrou, que desde a década de 90 é uma figura de referência do catálogo da editora ECM.
Nasceu em 1941 em Teichio, uma aldeia nas montanhas, na Grécia Central a cerca de 80 quilómetros de Delfos. Durante os dias de infância toda a música que escutava era a que se cantava nos campos, durante as jornadas de trabalho, mas também em festas ou na igreja. Não havia eletricidade nem rádio nem sequer um cinema por perto. Se escutamos os discos de Eleni Karaindrou, notamos que há na sua música um sentido de espaço, um espaço livre e aberto, que capta essas memórias escutadas nas periferias do silêncio.
A vida e o momento político que a Grécia vivia no final da década de 60 levou-a até Paris. Passou por grandes dificuldades, mas recebeu uma bolsa do governo francês e continuou a estudar etnomusicologia, uma disciplina que a ajudara a focar atenções nas tradições orais de músicas de todo o mundo, o que, como ela mesmo afirmou, “a ajudou a compreender o tesouro da música grega”.
O encontro com o cineasta grego Theo Angelopoulos representou um episódio determinante na construção do seu rumo como compositora. Deu-lhe respostas a questões profundas que ela colocava já a si mesma, e sobre a sua existência. Ela gostava já dos filmes dele, da sua maneira de organizar os planos, da sua poesia. E a admiração mútua floresceu numa série de colaborações que representam os episódios mais celebrados da obra de Eleni Karaindrou.
Nuno Galopim
O Nosso Tempo é uma série dedicada a grandes figuras da música da segunda metade do século XX e do século XXI. Nos episódios anteriores estiveram em foco o norte-americano Steve Reich e o britânico John Tavener.