Pedro Dias de Almeida em Memórias Futuras conversa com a artista visual, performer e, agora, também realizadora de cinema, Ana Pérez-Quiroga. O seu primeiro documentário De Qué Casa Eres? chega às salas de cinema, quando já está a trabalhar noutro filme, e revela qual é nesta entrevista.
A história extraordinária da sua mãe já se tinha infiltrado no trabalho de Ana Pérez-Quiroga, artista visual nascida em Coimbra em 1960 – em objetos, textos, imagens. Agora chegou às salas de cinema no documentário De Qué Casa Eres?, um filme de artista, com muitas das marcas autorais da identidade de Pérez Quiroga. Aí ficamos a conhecer o percurso de Angelita Pérez. Nascida em 1932 teve a vida marcada pelos labirintos do século XX europeu, tantas vezes trágicos. Aos quatro anos foi de Espanha, do País Basco, para a União Soviética, numa viagem, com centenas de outras crianças espanholas, com o objetivo de proteger os filhos dos republicanos durante a Guerra Civil Espanhola. Só regressaria em 1956, já com 24 anos e com o curso de medicina completado em Moscovo. Acabaria por se estabelecer em Portugal depois de, regressada a Espanha, se ter casado com um médico português, o pai de Ana.
O percurso profissional de Ana Pérez-Quiroga começou a fazer-se na área da Arquitetura de Interiores, mas rapidamente começou a sentir falta de uma maior afirmação autoral que desse corpo às suas ambições artísticas. Concluiu, então, a licenciatura em Escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. O uso de tecidos, néons, cores fortes, objetos e a atenção dada ao quotidiano, à sua vida, marcam a obra que foi construindo, representada nas mais importantes coleções nacionais. Paralelamente desenvolveu um trabalho académico e está, hoje, ligada ao CHAIA – Centro de História de Arte e Investigação Artística da Universidade de Évora.
Depois da estreia como realizadora de cinema com De Qué Casa Eres?, Ana Pérez-Quiroga está já a pensar num segundo filme, sobre a vida e obra da escultora Ana de Gonta Colaço (1903-1954).
Pedro Dias de Almeida