Passam dez anos sobre o dia em que David Bowie nos deixou. Foi a 10 de janeiro de 2016, apenas três dias depois de ter editado o álbum Blackstar. No Gira Discos escutamos esta semana ecos do seu legado e também obras de colaboradores seus.
Começamos com Philip Glass, reconhecido admirador de Bowie. Estreada em Munique, em 1992, a primeira sinfonia de Philip Glass tinha como ponto de partida o álbum Low, disco de 1977 que habitualmente é referido como o primeiro da trilogia “berlinense” de Bowie, o que corresponde a uma realidade mitificada. Bowie de facto viveu em Berlim na reta final dos anos 70, mas na verdade Low foi em parte gravado em Paris (no mesmo estúdio que seis anos antes tinha acolhido José Afonso, José Mário Branco e Sérgio Godinho) e Lodger, de 1979, nasceu entre Montreux e Nova Iorque… Só Heroes, o disco do meio, foi integralmente criado e gravado em Berlim, nos célebres estúdios Hansa.
A estreia da Low Symphony foi assegurada pela Brooklyn Philharmonic Orchestra, sob direção de Dennis Russel Davies, que daí em diante se afirmaria como um dos parceiros mais frequentes no percurso de Phillip Glass. Quatro anos depois Heroes era a fonte de inspiração para a quarta sinfonia de Glass. Seguiu-se depois um longo hiato até que, o tríptico de Bowie teve espelho completo na obra sinfónica de Philip Glass com a Sinfonia nº 12, baseada no álbum Lodger. Esta última é uma obra diferente, essencialmente cantada, contando a edição em disco, lançada em 2022, com a voz de Angelique Kidjo.
Este tríptico sinfónico, concluído já depois da morte de David Bowie, em janeiro de 2016, corresponde a um dos mais significativos legados da sua obra para além das esferas da cultura pop. Porém, podemos encontrar pistas próximas das vivências de Bowie noutros territórios, como jazz. E esta foi uma presença marcante na reta final da discografia de Bowie. E neste episódio do Gira Discos ouvimos Maria Schneider, que trabalhou com Bowie em 2014 em Sue (Or In a Season of Crime), que de resto lhe valeu um Grammy para Melhor Arranjo. Outra figura do jazz em evidência no Gira Discos é Donny McCaslin, cujo percurso se cruzou também com o de David Bowie na reta final da sua carreira, em concreto no álbum Blackstar.
Neste episódio, e além do próprio Bowie, ouvimos ainda Mike Garson, que foi colaborador regular de Bowie em várias etapas, desde os dias da mítica Ziggy Stardust Tour até ao álbum Reality, de 2003 e o pianista Brad Mehldau, que recriou o clássico Life On Mars no álbum Your Mother Should Know: Brad Mehldau Plays The Beatles, de 2023.
Neste episódio:
Philip Glass – Heroes Symphony – Neukoln (pela Bournemouth Symphony Orchestra, dir. Marin Alsop)
Philip Glass – Low Symphony – 3 Warszawa (pela Brooklyn Philharmonic Orchestra, dir. Dennis Russel Davies)
Philip Glass – Symphony Nº 12 – Lodger – Fantastic Voyage (pela Filharmonie Brno, dir. Dennis Russel Davies)
Maria Schneider – Orchestra Sputnik
Donny McCaslin – Big Screen
Mike Garson – Tribute To David
Brad Mehldau – Life On Mars
David Bowie – Subterraneans