O episódio desta semana de A Voz das Cores, da autoria de Andrea Lupi, é dedicado ao Primeiro estudo para a decoração do proscénio do Teatro de Muñoz Seca (1929) de Almada Negreiros, da sua fase espanhola.
Estudo para decoração de teatro
José de Almada Negreiros (1893-1970) foi um eclético e multifacetado artista português. Entre 1927 e 1932 viveu em Madrid, onde se integrou na afamada tertúlia intelectual do Café Pombo, tornando-se amigo, entre outros, de Federico Garcia Lorca. A sua fase espanhola foi prolífica em exposições e projetos, entre os quais o das decorações do Teatro Muñoz Seca, hoje desaparecidas.
Em 1929, Almada realizou o primeiro estudo para a decoração do teatro, um guache sobre papel com 68×100 cm. Uma década mais tarde, usou o mesmo papel para pintar, no verso, A Sesta, pintura que escolheria para uma retrospetiva sua em 1941. Assim se depreende a pouca importância que deu ao estudo.
Parafraseando David Santos, “Em termos estético-formais, a obra revela o enleio dos corpos de duas figuras, um arlequim e uma figura feminina, referenciando uma síntese de formas e modelação inspirada na pintura de Picasso.
Entre detalhes menos conseguidos, como o desenho das mãos da figura masculina, Almada consegue ainda criar uma dimensão sensível a partir do rosto feminino e do contorno sinuoso a negro que estrutura todo o ritmo da composição.”
A presença do Arlequim convoca o mundo da Commedia dell’arte, mote para um programa com música de Stravinsky, Schönberg, Giorgio Mainerio, Ernö Dohnányi e Pergolesi.
Andrea Lupi

José de Almada Negreiros
Primeiro estudo para a decoração do proscénio do Teatro de Muñoz Seca (1929)
Guache s/ papel A. 68 x L. 100 cm
© Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado
Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E / Arquivo de Documentação Fotográfica
Fotografia de Arnaldo Soares