Uma viagem a um planeta desconhecido… A ideia há muito habita páginas de livros de ficção científica e serviu de mote para um nada limitado volume de filmes ou de episódios de séries. O que o pianista e compositor islandês Gabríel Ólafs nos propõe obriga-nos contudo a um esforço maior enquanto recetores da narrativa. Obriga-nos a um desafio: o de procurar na música as pistas para acompanhar essa viagem. E em Polar é precisamente isso o que acontece… Já descrito como um trabalho de ficção especulativa em forma de música, o álbum que nos transporta a um planeta imaginário assinala a estreia de Frequências Paralelas, programa de João Pedro que podemos ouvir todas as sextas, pelas 22h00 na Antena 2 e que está igualmente disponível na plataforma RTP Play.
Nascido em Reykjavik em 1998 (tem 27 anos), Gabríel Ólafs começou a estudar piano desde muito cedo, aprofundou a sua formação musical alargando horizontes em várias frentes (entre as quais o jazz) e tinha apenas 14 anos quando o seu Absent Minded conheceu uma apresentação na televisão islandesa, tendo então cativado a atenção do manager de Björk, que então encaminhou o jovem músico no sentido de um primeiro acordo discográfico.
O seu álbum de estreia, Absent Minded (que incluía a peça com o mesmo título) surgiu na editora independente One Little Indian em 2019, seguindo-se Piano Works em 2020. Solon Islandus (2022), o seu terceiro álbum, inspirado pela poesia de Davíd Stefánssonfo, envolvendo um coro e uma orquestra, foi lançado já no âmbito de um novo contrato com a Decca, que entretanto lançou Lullabies for Piano and Cello (2023) e Orchestral Works (2024), discos que cimentaram o seu estatuto entre os talentos emergentes do século XXI.
Polar, assim como os discos companheiros Polar: Dusk e Polar (Traveller’s Log) (este último com a voz de Hera Hilmar) propõem-nos uma viagem a um mundo distante e desconhecido. Um mundo gelado, marcado por altas cordilheiras de montanhas e vastos oceanos. Um mundo aparentemente desabitado, mas que guarda vestígios de uma civilização há muito desaparecida. A música vinca o poder cenográfico e narrativo da escrita orquestral de Gabríel Ólafs, ora traduzindo o fulgor imponente da contemplação de grandes espaços, ora o tom elegíaco dos segmentos em que se constata a memória de uma velha civilização.