No segundo episódio de Miles Davis: 100 anos , Rui Miguel Abreu destaca Kind of Blue, o álbum que Miles Davis editou em 1959 e que é o álbum de jazz mais vendido de sempre. Um episódio com contributos de Gonçalo Falcão, Pedro Moreira e Paulo Ochoa, entre outros.
Kind of Blue de Miles Davis
No segundo episódio desta série que assinala o centenário do nascimento de Miles Davis, mergulhamos na história de Kind of Blue, o álbum que continua a ser, mais de seis décadas após a sua gravação, o disco de jazz mais célebre e influente de sempre.
Gravado em duas sessões realizadas no 30th Street Studio da Columbia, em Nova Iorque, na primavera de 1959, Kind of Blue marcou uma mudança decisiva na linguagem do jazz moderno. Partindo de princípios modais e de uma abordagem assente no espaço, na economia de meios e na liberdade melódica, Miles Davis abriu novos caminhos para a improvisação e criou uma obra cuja influência continua a fazer-se sentir muito para além das fronteiras do jazz.
Ao lado de Miles Davis reuniu-se um grupo absolutamente extraordinário de músicos: John Coltrane e Cannonball Adderley nos saxofones, Bill Evans e Wynton Kelly ao piano, Paul Chambers no contrabaixo e Jimmy Cobb na bateria. Juntos deram forma a temas que se tornariam clássicos intemporais, como So What, Freddie Freeloader, Blue in Green, All Blues e Flamenco Sketches.
Ao longo deste episódio acompanhamos a génese do álbum, o ambiente das sessões de gravação, as ideias musicais que o tornaram possível e o percurso que o transformou numa referência incontornável da história da música gravada.
O programa integra ainda testemunhos de Pedro Moreira, maestro, pedagogo e dirigente do Hot Clube de Portugal; Gonçalo Falcão, crítico da revista Jazz.pt; Paulo Ochoa, da Jazz Messengers e profundo conhecedor do universo discográfico jazz; e excertos históricos de José Duarte, figura maior da divulgação do jazz em Portugal através da Antena 1.
Mais do que a história de um disco, este é o retrato de um momento raro em que talento, visão artística e circunstância convergiram para criar uma obra que continua a desafiar o tempo.
Rui Miguel Abreu