Pedro Dias de Almeida em Memórias Futuras conversa com o cineasta Ivo Ferreira acerca do seu percurso profissional, sempre ligado às artes, e da concretização de uma ideia antiga: o filme Projeto Global, sobre as FP-25, que há dias estreou nas salas de cinema.
Ivo Ferreira tem sido muito falado – e tem falado muito – recentemente a propósito do seu filme Projeto Global, agora nas salas de cinema. Levar para o grande ecrã as histórias das FP-25, a organização de extrema esquerda que entre 1980 e 1987 foi responsável por vários assaltos e atentados em Portugal, era uma ideia antiga. Para a concretizar colaborou com o historiador Francisco Bairrão Ruivo, em anos de pesquisa sobre assunto. Essa abordagem historiográfica deu origem ao livro, também lançado por estes dias, FP-25 e Pós-Revolução, ‘Normalização’ e Violência Política, de Bairrão Ruivo (Tinta-da-China) e libertou Ivo Ferreira para fazer um filme que nada tem de documental ou didático. O realizador recria o Portugal dos anos 80 e inspira-se nestas histórias, mas evitou colagens a personagens reais.
O percurso profissional de Ivo Ferreira, nascido em setembro de 1975, pode ser visto como uma aventura para se distanciar da “sina traçada de ser ator.” Filho do ator Cândido Ferreira e da atriz Carmen Marques, passou a infância no Teatro da Comuna, na Praça de Espanha, Lisboa, como numa segunda, ou mesmo primeira, casa. Aí estreou-se em palco, ainda criança, mas percebeu que não era isso que queria fazer para o resto da vida.
Chegou a ponderar a fotografia mas foi o cinema que lhe guiou os passos. A memória histórica de Portugal tem sido um tema recorrente da sua obra – presente, por exemplo, no filme Cartas da Guerra, de 2016, realizado a partir da correspondência entre o escritor António Lobo Antunes e a mulher durante a Guerra Colonial, que esteve presente na competição do Festival de Berlim.
Neste décimo episódio de Memórias Futuras, Ivo Ferreira revela os dois projetos (um deles com o título Os Mágicos do Império) em que já está a trabalhar, mantendo esse foco nas histórias do século XX português.
Pedro Dias de Almeida