Os 50 anos da estreia de Einstein On The Beach são o mote para o episódio desta semana do Gira Discos no qual escutamos excertos dessa e outras óperas de Philip Glass.
Depois de talhar as bases e fundamentos da sua linguagem musical, contribuindo então para a definição do minimalismo (termo cunhado por Michael Nyman num texto de então), Philip Glass procurou a exploração de novos horizontes e novos desafios. Num deles deu por si a trabalhar, pela primeira vez, para um palco, juntando à sua música o trabalho de escrita de palavras, as vozes de cantores, os gestos de bailarinos e um trabalho de encenação de grande protagonismo na concepção da ideia. Com Bob Wilson como encenador concordou em trabalhar uma obra centrada numa figura histórica. E Albert Einstein foi então o nome que gerou o consenso. Com os músicos (e os recursos instrumentais – ou seja, teclados e sopros) do Philip Glass Ensemble como ponto de partida, Glass concebeu uma partitura que expressava ainda as premissas fundamentais (da sua visão) do minimalismo.
Juntos, Wilson e Glass decidiram adotar uma estrutura não linear e não narrativa. As cenas procuravam antes refletir sobre a personagem e as suas ideias. A obra (que acabaria designada como sendo uma ópera) apresentava a figura do grande físico do século XX em cinco atos, com algumas cenas separadas por interlúdios a que chamam Knee Plays (o nome resultando da noção de ligação que os joelhos representam numa perna). Os textos cantados são essencialmente números, notas musicais e letras, com as palavras provenientes de textos de Lucinda Childs, Christopher Knowles e Samuel L. Johnson a surgir antes um registo por vezes mais próximo do spoken word. Aos músicos do ensemble e às vozes juntava-se ainda um violino.
Einstein On The Beach teve estreia no Festival de Avignon em julho de 1976, revelando desde logo uma visão nova de teatro musical. O seu impacte revelou-se não apenas profundo na subsequente produção operática de Philip Glass mas desempenhou um papel igualmente importante no reencontrar da ópera como um espaço de grande vitalidade no panorama da música no final do século XX.
Com cinco horas de duração (sem intervalos) na produção original, a obra permitia ao espectador entrar e sair da sala quando entendesse. A primeira gravação em disco de Einstein on The Beach seria registada em 1978, com primeiro lançamento em 1979 na Tomato Records, surgindo depois no catálogo da CBS Masterworks. A gravação tem cerca de 160 minutos de duração, alguns momentos sendo encurtados para caber no espaço de quatro álbuns em vinil.
A mais recente gravação, com o Ictus Ensemble, corresponde a uma produção em formato de concerto que passou pela Gulbenkian, apresentando Suzanne Vega no papel de narradora.
Nuno Galopim
