O episódio da Sala 2 de 3 de abril é dedicado ao compositor Michael Nyman que, apesar da sua vasta obra nas mais diversas formas musicais, tem no cinema um dos polos mais importantes da sua atividade.
Foi Michael Nyman quem, pela primeira vez, usou o termo “minimalista” para classificar uma música que tinha raízes na obra de uma série de compositores norte-americanos que ganhavam visibilidade em finais dos anos 60 e que, por essa altura, começava a ter ecos no Reino Unido, de onde é natural. Crítico musical, musicólogo, mais tarde compositor, Michael Nyman é ele mesmo um exemplo maior dessas mesmas heranças em solo europeu. A sua música junta, contudo, às lições dos minimalistas, todo um corpo de memórias escutadas na tradição clássica ocidental, da soma dos elementos nascendo uma linguagem que cruza ideias e estabelece pontes entre tempos distintos.
Apesar de ter uma obra vasta, explorando as mais diversas formas musicais, Michael Nyman tem no cinema um dos polos mais importantes (e reconhecidos) da sua atividade enquanto compositor. Assinou já música para inúmeros filmes, tendo trabalhado juntamente com realizadores como Neil Jordan (O Fim da Aventura), Antonia Bird (O Insaciável) ou Andrew Niccol (Gattaca).
Com Peter Greenaway manteve uma longa e frutuosa ligação profissional que, de resto, o ajudou a definir caminhos rumo a uma linguagem pessoal. Colaboraram nos filmes The Falls (1980), O Contrato (1982), Um Z e Dois Zeros (1985), Maridos à Água (1988), O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Dela (1989), Os Livros de Próspero (1991) e A Ronda da Noite (2007).
Gravada com os músicos da Orquestra Filarmónica de Munique, com o próprio Michael Nyman ao piano, a banda sonora para O Piano, de James Campion, levou a novos públicos a sua música. O filme venceu a Palma de Ouro em Cannes e a banda sonora conquistou nomeações nos BAFTAs e nos Globos de Ouro.
Nuno Galopim