A Sala 2 é um espaço onde os criadores de música para o cinema são protagonistas. Nos próximos episódios um compositor estará sempre em destaque. Mas no primeiro viajamos no tempo até aos dias em que não havia som no cinema. Na verdade era frequente haver nas primeiras salas de projeção pelo menos um piano e um pianista… E ali começaram a chegar partituras com pequenas peças criadas não para um filme em particular, mas para situações e ambientes que podiam surgir nas mais diversas cenas. Romance, perseguições, tensão, suspense… Para cada clima ou situação havia música que o pianista escolhia e tocava na altura certa.
Com o tempo houve quem começasse a contratar compositores que criaram música original para cada um dos novos filmes… Um dos primeiros foi o norte-americano Louis F. Gottschalk (1834-1934), que respondeu ao pedido da The Oz File Manufacturing Company, criada em 1914, que fazia questão de ter nova música criada para cada um dos seus filmes.
Mas por essa altura a história das bandas sonoras já contava com algumas experiências bem sucedidas e até mesmo um vulto notável. Era Camille Saint-Saëns que, em 1908, criou música original para o filme francês L’Assassinat du Duc de Guise, uma ficção de pouco mais de 18 minutos assinada por André Calmettes e Charles Le Bargy que evocava um facto histórico: o assassinato do Duque de Guise, em dezembro de 1588, nos tempos do reinado de Henrique III.
Outro pioneiro na história das bandas sonoras foi o norte-americano Victor Herbert (1859-1924) que criou música para The Fall of a Nation, de Thomas Dixion Jr., filme que pode ser entendido como uma sequela de Birth of a Nation de Griffith. The Fall of a Nation era uma longa metragem de 7 ou 8 bobines, mas o filme está dado como perdido. Felizmente a sua banda sonora sobreviveu. Sobre Victor Herbert vale a pena lembrar que foi compositor, violoncelista e maestro, trabalhou sobretudo na Broadway, assinou inúmeras canções e desempenhou um papel importante na luta pela legislação de defesa dos direitos de autor.
A etapa seguinte neste episódio leva-nos a ouvir a música do alemão Gottfried Huppertz (1887-1937). Compositor, ator e cantor, criou uma banda sonora original para o clássico Metropolis (1927), de Fritz Lang, uma das primeiras obras-primas da história do cinema de ficção científica. Mega produção, com longos meses de rodagem, esta distopia criada nos tempos da República de Weimar tratou com afinco narrativa e imagem, sendo de resto uma das referências do expressionismo alemão.
A fechar o episódio de estreia da Sala 2 entra em cena o austríaco Edmund Meisel (1894-1930), que trabalhou para cineastas dos anos 20, entre os quais a alemã Leni Riefenstahl ou o russo Sergei Eisenstein. E foi precisamente para este último que assinou música original para o mítico Couraçado Potemkine, filme que ao longo dos tempos já conheceu muitas outras novas abordagens musicais, por nomes tão diferentes como João Paulo Esteves da Silva ou os Pet Shop Boys.
Nuno Galopim