Rebecca Clarke

Rebecca Clarke

Cem Sóis a Abater

Rebecca Clarke

Rebecca Clarke

Cem Sóis a Abater

A primeira série do novo programa de Inês Almeida sobre mulheres compositoras, Cem Sóis a Abater: Retratos de Mulheres Compositoras estreia no início de setembro. Cada episódio foca-se na biografia de uma personalidade, enquadrando-a no seu tempo e fornecendo pistas de escuta musical. Neste primeiro episódio, olhamos e escutamos Rebecca Clarke, uma das mais influentes compositoras e violistas britânico-americanas do século XX.

Rebecca Helferich Clarke (1886–1979) foi uma compositora inglesa e uma violetista de renome internacional, de ascendência alemã e americana. Nascida em Harrow, estudou violino na Royal Academy of Music a partir de 1903 e composição no Royal College of Music a partir de 1907, onde foi uma das primeiras alunas de composição de Charles Villiers Stanford. Por sugestão de Stanford, passou do violino para a viola e estudou com Lionel Tertis.
Depois de o pai a expulsar de casa em 1910, sustentou-se como violetista profissional e, em 1912–13, tornou-se uma das primeiras mulheres admitidas numa grande orquestra profissional londrina, a Queen’s Hall Orchestra, dirigida por Sir Henry Wood.

Membros da Queen’s Hall Orquestra. Rebecca Clarke é a primeira da esquerda para a direita

Posteriormente, atuou na Grã-Bretanha, na Europa e nos Estados Unidos, fez digressões com a violoncelista May Mukle e trabalhou com músicos de destaque, entre os quais Casals, Heifetz, Schnabel, Rubinstein, Hess e Suggia.
Passou grande parte da vida adulta nos Estados Unidos, onde a sua relação com a mecenas Elizabeth Sprague Coolidge assumiu particular importância.

O principal período de reconhecimento de Clarke como compositora ocorreu entre 1917 e meados da década de 1920. A sua obra Morpheus (1917–18) foi seguida pela célebre Sonata para Viola (1919), que empatou com uma obra de Ernest Bloch no concurso de Coolidge e se tornou uma peça fundamental do repertório para viola, apesar da incredulidade da época perante a possibilidade de uma mulher ter escrito uma obra de tal calibre e qualidade. O Trio com Piano (1921) e a Rapsódia para Violoncelo e Piano (1923), encomendada por Coolidge, consolidaram ainda mais a sua reputação; Clarke foi a única compositora a receber o patrocínio de Coolidge.
Entre as suas obras posteriores encontram-se Comodo et amabile (1924), Poem (1926), The Tiger (1929–33), Dumka (1941) e Prelúdio, Allegro e Pastorale (1941).

A sua produção diminuiu durante a década de 1930 e, depois de casar com o pianista e compositor James Friskin, em 1944, deixou em grande medida de compor e de atuar, embora tenha continuado a trabalhar em arranjos.

O interesse pela sua música renasceu por ocasião do seu nonagésimo aniversário, em 1976, e intensificou-se após a sua morte, em 1979, sobretudo através de novas publicações, gravações e estudos musicológicos.
Inês Almeida