Esta semana o Supernova destaca dois Concertos — um para violoncelo e outro para violino, em 1ª gravação mundial –, duas Sinfonias e música para cravo.
Começamos pela Sinfonia nº 4, op. 60, de Karol Szymanowski, num disco com o pianista Szymon Nehring, a Orquestra Sinfónica da Rádio Polónia e a maestra Marin Alsop. Artur Rubinstein é o dedicatário desta obra escrita em 1932 e que é, afinal de contas, um concerto para piano e orquestra, tal como se deduz do subtítulo Sinfonia concertante. No 1º andamento, predomina a liberdade e a imaginação; o 2º convoca-nos para um passado distante e exótico; e o 3º contém, nas palavras do compositor, “passagens quase orgiásticas”. O disco oferece, ainda, a interpretação de 10 das 20 Mazurcas, op. 50, por S. Nehring (ed. Rubicon).
Chegou a vez de a Orquestra Nacional de França, sob a direção de Cristian Măcelaru, consagrar um álbum de envergadura à compositora, “notável e politicamente intrépida”, Elsa Barraine. Aluna de Dukas e colega de Messiaen, Barraine venceu o Prix de Rome aos 19 anos, com a cantata Joana D’Arc. A sua longa carreira foi indissociável do seu papel de 1º plano na Resistência. Na opinião de Măcelaru, “não se trata apenas de uma compositora cujos engenho e criatividade testemunham uma obra bem concebida, mas também de uma verdadeira pioneira de mérito próprio”. Este disco contém as Sinfonias nos 1 e 2 (1931 e 1938), Song-Koï (1945) e Les Tziganes (1959) (ed. Warner).
Em Transformations, a cravista russa Alexandra Nepomnyashchaya aborda a “arte da reciclagem” na obra de J. S. Bach, através das transcrições, dos arranjos e outras transformações. Um dos períodos mais importantes do desenvolvimento de Bach enquanto compositor foi o que passou em Weimar, entre 1707 e 1717, devorando e absorvendo música de diversas fontes. Nesses anos, fez mais de 20 arranjos para cravo e órgão de obras recentes de Vivaldi, Marcello, Telemann e outros. Nepomnyashchaya interpreta o Concerto em Re M, BWV 972 (a partir de Vivaldi) e o Concerto em Re m, BWV 974 (a partir de A. Marcello), bem como arranjos que Bach fez das suas próprias obras e, finalmente, o Concerto Italiano, BWV 971, “produto perfeito e culminar das investigações e explorações de Bach no domínio da transformação”, escreve Richard Egarr (ed. Linn).
Supernova faz, também, a ante-estreia do álbum Perfectly Free, no qual a violoncelista servo-francesa Maja Bogdanović interpreta Concertos para violoncelo de Osvaldo Golijov (“Azul”) e Anna Clyne (“Dance”). São gravações ao vivo realizadas no Festival Internacional de Música Stift, em 2024 e 2025, com a Orquestra Sinfónica Phion sob a direção de David Cohen e Xandi van Dijk. O Concerto para violoncelo, grupo obbligato (com acordeão e percussão) e orquestra, de Golijov, datado de 2006, é sonhador e épico, com uma linguagem expressiva e uma enorme paleta orquestral a fundir vários estilos, que vão do barroco de F. Couperin ao tango de Piazzolla (ed. Challenge, a 6 de Março).
Para o 10º disco de editora Feminae Records, Cherchez la Femme, a violinista sérvia Alexandra Maslovaric toma, também, o lugar de compositora e estreia, com a Orquestra Sinfónica de Budapeste, o seu Concerto para violino nº 2, em Re M. Trata-se de uma obra neo-romântica para o séc. XXI, que encoraja a audiência a encontrar a sua própria poesia interior e a atravessar uma história pessoal contada em 5 andamentos miniaturais: Daydream, Rendez-vous, Escape, Testimony e Exoneration. A completar o álbum, Maslovaric interpreta os seus 4 Caprichos para violino solo.
Inês Almeida