O compositor britânico John Tavener está em destaque no segundo episódio de O Nosso Tempo, uma série dedicada a grandes músicos do final do século XX e do século XXI.
John Tavener (1944-2013) foi uma figura sobretudo interessada na música coral, apesar de a sua obra incluir também criações importantes para orquestra. A sua obra traduziu ecos de uma profunda espiritualidade e ainda um raro sentido ecuménico que refletiu ecos diretos de uma relação com várias religiões, tendo vivido uma particularmente longa ligação com a Igreja Ortodoxa. O hinduísmo e o islão marcaram depois os seus interesses nos anos tardios, numa altura em que a sua música passou a refletir também a presença de elementos que transcendiam o universo da música clássica ocidental.
Nasceu em Londres em plena II Guerra Mundial. A família tinha uma empresa de construção civil. E, de resto, foi na sequência de obras na residência de Ringo Starr, o baterista dos Beatles, que o irmão do compositor deu música sua a escutar ao dono da casa, acabando John Tavener por ser convidado para se estrear discograficamente em 1970 na Apple, a editora dos Beatles.
Em 2001 assinou uma das suas mais notáveis ousadias quando juntou em Prayer of The Heart o Brodsky Quartet com a voz “crua”, com um som “primordial” de Björk, como ele mesmo explicou… Foi a própria cantora quem procurou o compositor.
Jantaram, conversaram, notaram afinidades. Conta-se que tanto a voz, como os movimentos e a espiritualidade da cantora acabaram por cativar o compositor.
São exemplos de composições de referência as obras The Whale (1968), A Celtic Requiem (1969), Thérèse (1976), The Lamb (1982), Ikon of Light (1984), Akathist of Thanksgiving (1987), The Protecting Veil (1987), Mary of Egypt (1991), Song For Athene (1993), Fall and Resurrection (2000), Prayer Of The Heart (2001), The Veil Of The Temple (2003), Requiem (2008) ou Towards Silence (2009).
Nuno Galopim