Uma das obras-primas do compositor siciliano tem nova produção no Met de Nova Iorque. La sonnambula é uma história de encontros e desencontros amorosos transformada em música pelo génio de Vincenzo Bellini. A soprano Nadine Sierra, uma das maiores estrelas do Met nos últimos anos, interpreta o papel principal desta deslumbrante ópera em dois atos.
Temporada Metropolitan Opera
de Nova Iorque
9 maio | 18h00
Vincenzo Bellinni | La sonnambula
Após triunfantes apresentações no Met, Nadine Sierra atinge mais um ápice do repertório para soprano como Amina, que no papel de sonâmbula conquista o coração do público na comovente história de amor perdido e reencontrado de Bellini. O tenor Xabier Anduaga regressa após a sua aclamada estreia no Met em 2023, desempenhando a personagem Elvino, noivo de Amina, ao lado da soprano Sydney Mancasola como sua rival, Lisa, e do baixo Alexander Vinogradov como Conde Rodolfo. O maestro Riccardo Frizza dirige uma das mais deslumbrantes óperas.
A ópera passa-se numa vila nos Alpes Suíços, um cenário deliberadamente lendário, porém plausível, que reflete o equilíbrio da história entre o realismo e o mundo dos sonhos. Na sua nova produção, Rolando Villazón — o tenor que começou uma brilhante segunda carreira como diretor — mantém o cenário original da ópera nos Alpes Suíços, mas utiliza a trama sonâmbula para explorar os vales emocionais e psicológicos da mente.
La Sonnambula foi escrita entre 2 de Janeiro e 9 de Fevereiro de 1831, para o Teatro Carcano de Milão. A estreia teve lugar a 6 de Março inserida numa temporada notável iniciada com Anna Bolena de Donizetti, tendo como principais intérpretes os mesmos cantores: o soprano Giuditta Pasta e o tenor Giovanni Battista Rubini. Este facto terá certamente contribuído para o enorme sucesso obtido por esta ópera que exige intérpretes com qualidades técnicas excecionais. O libreto é de Felice Romani baseado no enredo dum bailado da autoria de Eugène Scribe.
Esta joia operática de um dos grandes mestres da melodia é um marco de extraordinário virtuosismo vocal. O papel principal da sonâmbula foi composto para a maior diva da época, Giuditta Pasta (para quem Bellini também escreveu o papel trágico de Norma). O papel exige uma rara combinação de inocência, charme e virtuosismo vocal de tirar o fôlego. Mais profunda que uma comédia, mas sem ser uma tragédia, La Sonnambula desenvolve-se pela genuinidade e das personagens e da comoção que eles transmitem , ao invés de uma trama baseada em intrigas ou farsas.
O compositor siciliano Vincenzo Bellini (1801–1835) possuía um talento extraordinário para a melodia e uma profunda compreensão da voz humana. A sua carreira meteórica foi interrompida precocemente pela sua morte aos 33 anos, pouco depois do triunfo da ópera I Puritani na estreia em Paris. Felice Romani (1788–1865), frequente colaborador de Bellini, era o libretista oficial do Teatro alla Scala de Milão, e construiu este libreto baseando-se no bailado-pantomima de Eugène Scribe (1791–1861), o prolífico dramaturgo francês que também escreveu libretos para compositores como Meyerbeer, Verdi e Donizetti.
Solistas e coro interagem frequentemente nesta ópera, uma característica incomum nas obras de Bellini e que reflete com sucesso a ideia de uma comunidade rural unida. Isso serve de pano de fundo para os solos e duetos, nos quais Bellini alcança um domínio notável da expressão vocal.
A grandiosa cena final para a soprano, representação impressionante da personalidade emergente de uma jovem, com o cantabile “Ah! non credea mirarti” e a cabaletta “Ah! non giunge uman pensiero” é, desde há muito, famosa como peça em programas de concertos e recitais, mas é somente no contexto da ópera que revela a verdadeira maestria dramática de Bellini.

Transmissão da gravação
realizada em The Metropolitan Opera de Nova Iorque
a 18 de outubro de 2025
Realização e Apresentação: André Cunha Leal
Produção: Susana Valente

Ficha técnica
Amina: Nadine Sierra (S)
Lisa: Sydney Mancasola (S)
Elvino: Xabier Anduaga (T)
Conde Rodolfo: Alexander Vinogradov (B)
Coro e Orquestra do Metropolitan
Direção de Riccardo Frizza

Fotos Met Opera