Saltar para o conteúdo
    • Notícias
    • Desporto
    • Televisão
    • Rádio
    • RTP Play
    • RTP Palco
    • Zigzag Play
    • RTP Ensina
    • RTP Arquivos
Antena 2 - RTP
  • Programas
  • Em Antena
    Concertos A2 + Concertos Festivais Proms Cultura Teatro Radiofónico Reportagens/Documentários Diversos/Especiais
  • Canto
    Ópera Metropolitan Diversos
  • Multimédia
    Fotogalerias Vídeos Melopédia Jazzin’ Antena 2 Ópera
  • Fora de Portas
    Concertos Festivais Eventos Agenda Cultural
  • PJM
    Geral Inscrições Regulamentos e Programa Festival Jovens Músicos Galeria Facebook PJM
  • Podcasts
  • Programação

NO AR
PROGRAMAÇÃO já tocou
Imagem de 90 anos de Tempos Modernos
Cultura 8 fev, 2026, 10:48

90 anos de Tempos Modernos

Especial

Imagem de 90 anos de Tempos Modernos
Cultura 8 fev, 2026, 10:48

90 anos de Tempos Modernos

Especial

A assinalar o aniversário da estreia de Tempos Modernos – ocorrida a dia 5 de fevereiro de 1936, no Rivoli Theatre em Nova Iorque –, a Antena 2 recupera a memória, a sonoridade e o pensamento em torno deste último representante do cinema mudo, num especial de música e palavra. Por entre excertos da autobiografia de Charles Chaplin, escritos de Serguei Eisenstein e André Bazin, Inês Lourenço explora os sentimentos, o contexto e as ideias que envolvem um dos maiores clássicos do cinema, eternamente moderno.

Imagem de 90 anos de Tempos Modernos

90 anos de Tempos Modernos

90 anos da estreia de "Tempos Modernos" de Cheles Chaplin, ocorrida no dia 5 de fevereiro de 1936, no Rivoli Theatre em Nova Iorque.

Mais Episódios

Tempos Modernos é o filme em que Charles Chaplin leva a personagem de Charlot pela última vez ao grande ecrã. É o fim definitivo dos filmes mudos. Aquele em que a canção surge como um elemento de passagem, um aceitar risonho, mas nostálgico, da mudança, e onde a sociedade e as máquinas fazem sobressair os únicos espíritos que escapam à lógica do capitalismo: um vagabundo e a sua companheira vivem sem amarras num mundo industrial que escraviza o trabalhador.

Aqui se encontra a melhor ilustração da era mecanizada e dos gestos que automatizam a existência humana. Como esquecer aquela linha de montagem em que Charlot desata a apertar parafusos imaginários? Ou as rodas dentadas para onde se evade, ou é sugado, quando o corpo não aguenta mais os movimentos repetitivos e começa a dançar numa espécie de sonho febril?

Considerada uma das obras mais corajosas de Chaplin, repleta de energia e dinamismo, Tempos Modernos surge cinco anos depois do romântico e sentimental Luzes da Cidade. Porquê um intervalo tão grande? Digamos que, com esse filme anterior, que colocara a arte de Chaplin na vertigem da sua expressão máxima, criara-se um impasse, substancialmente agravado pelo cinema sonoro, a tecnologia que veio para ficar. Na autobiografia, ele desabafa: “Já nada me prendia a Hollywood. Os filmes mudos tinham acabado e, sem dúvida nenhuma, eu não sentia o menor desejo de lutar contra o sonoro.”

Tomado pelo desencanto e deriva em Hollywood, Chaplin ponderou liquidar os seus negócios, ir viver para Hong Kong e não pensar mais no cinema. Mas eis que um encontro fortuito com uma jovem Paulette Goddard mudou o curso das suas drásticas decisões de vida: viriam a travar conhecimento a bordo do iate de um dos executivos da indústria, o presidente da United Artists Joseph Schenck, e a amizade que se formara a partir do isolamento de ambos não demorou a dar lugar ao romance. Daí até ele ver em Paulette a gamine perfeita para o seu próximo filme foi um piscar de olhos. Bastou juntar-se a essa inspiração feminina os relatos de uma crise económica que se manifestava um pouco por todo o mundo, e uma conversa com um repórter, sobre uma fábrica de Detroit cujo sistema de cadeia de montagem transformava jovens camponeses robustos em farrapos humanos ao fim de quatro ou cinco anos de trabalho, para a ideia de Tempos Modernos ganhar forma.

O universo ritmado da máquina, o herói eterno face ao homem contemporâneo, e ainda a tal resistência de uma técnica – o cinema mudo – contra o gosto dos novos públicos, fazem então de Tempos Modernos um exemplar único da alegria de existir em contracorrente. Com uma diferença: se nas anteriores manifestações de Charlot a principal característica era a sua capacidade de se manter à margem, de escapar a qualquer sistema organizado, em Tempos Modernos, o adorável insubmisso começa por ser operário numa fábrica, por fazer parte de uma engrenagem, para não muito depois ser cuspido por esse mesmo mecanismo, tal como a sociedade põe de parte os que prezam demasiado a liberdade.

A tímida chegada do sonoro
A recusa de Charles Chaplin em deixar entrar o som da palavra nas suas películas chegaria, pois, a um termo ainda no corpo fílmico de Tempos Modernos. Apesar de ser uma longa-metragem tipicamente muda, com intertítulos e situações escritas para a comédia física, numa célebre cena, o elemento da voz ganha protagonismo, mas só na medida do ridículo… Temos então Charlot, diante de um grupo de pessoas que assiste à sua performance energicamente cómica, quando ele olha assustado para a companheira e faz sinal para dizer que se esqueceu da letra da canção. Que letra?!

Este apontamento narrativo de Tempos Modernos tem apenas um propósito chapliniano: demonstrar que a palavra não conta para nada – até contar, no discurso de O Grande Ditador, claro está. Mas aqui a pantomima é quanto basta para se criar empatia. A canção humorística Je Cherche Après Titine, escrita em França em 1917, transforma-se assim em Nonsense Song, dando a conhecer aos espectadores a voz de Chaplin, numa língua imaginária, construída a partir de sons onomatopaicos, que simulam a aprendizagem da fala… Eis a tímida, brilhante e hesitante transição de Chaplin para o cinema sonoro. Uma cena que, em si mesma, concentra todo o drama com que se debatera o autor de A Quimera do Ouro até àquele momento.

Corações mecânicos
Aquando da estreia, Tempos Modernos acabou por suscitar críticas dos conservadores, que viam no filme uma ideologia de esquerda, com supostos laivos comunistas, bolcheviques, espécie de brincadeira maldosa, de pendor revolucionário, patente sobretudo numa cena de manifestação em que Charlot leva uma bandeira à frente de uma multidão de trabalhadores em protesto. Mas, o que mostra este momento senão um vagabundo confundido com o líder de uma onda de manifestantes, e levado para a prisão na sequência de um equívoco? Seja como for, o exagero foi tal que o filme não tinha como escapar à proibição na Alemanha nazi e na Itália fascista.

A questão política em Tempos Modernos é tudo menos redonda. Mas podemos dizer que Charlot e a sua rapariga não querem propriamente fazer uma revolução. Estas personagens são apenas dois seres a viver num mundo de autómatos como crianças sem sentido de responsabilidade, que recusam qualquer noção de “dever”.

Se quisermos ir mais longe, é a dignidade humana que interessa a Chaplin – veja-se, logo nas primeiras imagens do filme, o rebanho de carneiros que estabelece comparação, pelo efeito da montagem, com os operários a saírem do metro e a entrarem na fábrica, qual massa anónima que simboliza a escravidão moderna. Charlot, o pauzinho na engrenagem, revolta-se, isso sim, contra as leis do progresso material, o misticismo da felicidade produtiva, numa postura poética que consegue vislumbrar a ameaça dos corações mecânicos. Aquela que se identifica no grande texto do Ditador: “Não se entreguem a esses homens opostos à natureza, a esses homens-máquinas de corações mecânicos!”, diz.
E ainda assim, na incerteza do amanhã, há espaço para o otimismo.
Inês N. Lourenço

Charles Chaplin Cinema

Pode também gostar

Proms XVII | 30 agosto | 19h30

Proms XVII | 30 agosto | 19h30

Terras sem Sombra | até 7 Julho

Terras sem Sombra | até 7 Julho

Festival Música Viva 2022 | 18 a 27 Novembro

Festival Música Viva 2022 | 18 a 27 Novembro

Sofia Saldanha (1975-2022)

Sofia Saldanha (1975-2022)

SIPO | Dominic Doutney & Martin Jacobs | 28 e 30 Julho

SIPO | Dominic Doutney & Martin Jacobs | 28 e 30 Julho

Romeu Madeira e Francisco Sassetti  | 12 Janeiro 19h00

Romeu Madeira e Francisco Sassetti | 12 Janeiro 19h00

Caleidoscópio I | Sábado 22h00 | Segunda 13h00 | Quarta 5h00

Caleidoscópio I | Sábado 22h00 | Segunda 13h00 | Quarta 5h00

Romeu e Julieta – Entre as Notas e as Palavras

Romeu e Julieta – Entre as Notas e as Palavras

Richard Strauss | Elektra | 10 Maio | 18h00

Richard Strauss | Elektra | 10 Maio | 18h00

Gautier Capuçon | 16 Julho | 21h00

Gautier Capuçon | 16 Julho | 21h00

PUB
Antena 2

Siga-nos nas redes sociais

Siga-nos nas redes sociais

  • Aceder ao Facebook da Antena 2
  • Aceder ao Instagram da Antena 2
  • Aceder ao YouTube da Antena 2
  • Aceder ao X da Antena 2

Instale a aplicação RTP Play

  • Apple Store
  • Google Play
  • Programação
  • Frequências
  • Contactos
Logo RTP RTP
  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
  • Youtube
  • flickr
    • NOTÍCIAS
    • DESPORTO
    • TELEVISÃO
    • RÁDIO
    • RTP ARQUIVOS
    • RTP Ensina
    • RTP PLAY
      • EM DIRETO
      • REVER PROGRAMAS
    • CONCURSOS
      • Perguntas frequentes
      • Contactos
    • CONTACTOS
    • Provedora do Telespectador
    • Provedora do Ouvinte
    • ACESSIBILIDADES
    • Satélites
    • A EMPRESA
    • CONSELHO GERAL INDEPENDENTE
    • CONSELHO DE OPINIÃO
    • CONTRATO DE CONCESSÃO DO SERVIÇO PÚBLICO DE RÁDIO E TELEVISÃO
    • RGPD
      • Gestão das definições de Cookies
Política de Privacidade | Política de Cookies | Termos e Condições | Publicidade
© RTP, Rádio e Televisão de Portugal 2026