Integrado na programação deste mês que tem George Gershwin em destaque, a Antena 2 apresenta este domingo, dia 15, pelas 16h, uma emissão especial que vai olhar sobretudo como o cinema se relacionou com a sua música. São convidados o crítico de cinema João Lopes, a autora de A Grande Ilusão e Sala Escura, assim como da série Banda à Parte, Inês N. Lourenço e ainda André Cunha Leal, que todos os dias úteis apresenta o Programa da Manhã da Antena 2. A moderação é de Nuno Galopim. A produção, de Bárbara Almeida.
Estreado em 1951 Um Americano em Paris, de Vincente Minnelli, é um musical que recupera várias composições de Gershwin, desde o poema sinfónico com o mesmo título a canções como Embraceable You, I Got Rhythm ou Stairway to Paradise. O bailado de 17 minutos, coreografado por Gene Kelly, é uma das sequências mais célebres da história do cinema musical.
Este é o ponto de partida para esta conversa que nota depois como vários musicais de Gershwin conheceram adaptação ao cinema. E entre todos eles, Girl Crazy (estreado na Broadway em 1930) foi o que mais vidas teve no grande ecrã. Foram três no total, respetivamente em 1932, 1943 e 1965. A adaptação de 1943 contou no elenco com Judy Garland e Mickey Rooney. Depois de anos a fio em Nova Iorque, George Gershwin mudou-se para a Califórnia na segunda metade dos anos 30 com o cinema na sua mira. Criou então música para Vamos Dançar? (1937), Uma Donzela em Perigo (1937) e morreu a meio da produção de A Revista de Goldwyn (1938), cuja música não concluiu.
O especial recorda ainda que, em 1945, surgiu nas salas de cinema um ‘biopic’ dedicado à vida de George Gershwin. Com o título Rhapsody in Blue, o filme, de Irving Rapper, com Robert Alda como protagonista, apresentava no elenco algumas figuras que se cruzaram de facto com a vida do compositor, como Al Jolson, Paul Whiteman ou Oscar Levant.
Quase 25 anos depois da estreia da ópera, em 1959 Porgy and Bess conheceu uma adaptação ao cinema por Otto Preminger. No elenco surgiam nomes como os de Sidney Poitier, Sammy Davis Jr. e a cantora e atriz Dorothy Dandridge. O filme ganhou um Óscar pela música de André Previn and Ken Darby.
E entre as muitas utilizações de música de Gershwin no cinema não podia faltar uma referência à presença de Rhapsody in Blue na sequência de abertura de Manhattan (1979), de Woody Allen, durante a qual vemos uma sucessão de imagens de Nova Iorque, cidade na verdade intimamente ligada à história desta obra de 1924.
Nuno Galopim