Richard Strauss no Festival de Marvão

Richard Strauss no Festival de Marvão

Festival Internacional de Música de Marvão

Richard Strauss no Festival de Marvão

Richard Strauss no Festival de Marvão

Festival Internacional de Música de Marvão

Neste domingo, dia 23 de agosto pelas 16h00, a RTP Antena 2 prossegue  as transmissões do 11º Festival Internacional de Música de Marvão. Este concerto foi gravado a 27 de julho de 2025, na vila alentejana de Marvão.

23 Agosto | 16h00
Gravação pelo FIMM,
a 27 de Julho de 2025,
na Igreja de N. Sra. da Estrela, em Marvão

Concerto Richard Strauss

Programa

Aurélien Pascal, violoncelo
Nicolas Margarit, piano

Richard Strauss (1864–1949) – Sonata para Violoncelo e Piano em Fá maior, Op. 6

Allegro con brio
Andante ma non troppo
Finale: Allegro vivo

Nikolay Borchev, barítono
Marcelo Amaral, piano

Richard StraussLieder

Du meines Herzens Krönelein, Op. 21/2
Ach weh mir unglückhaftem Mann, Op. 21/4
Traum durch die Dämmerung, Op. 29/1
Nachtgang, Op. 29/3
Heimliche Aufforderung, Op. 27/3

QUATUOR AROD
Jordan Victoria, violino
Alexander Vu, violino
Tanguy Parisot, viola
Jérémy Garbarg, violoncelo

Adrien La Marca, viola
Aurélien Pascal, violoncelo

Richard StraussSexteto de “Capriccio”

Juliane Banse, soprano
Marcelo Amaral, piano

Richard StraussLieder

Das Rosenband, Op. 36/1
Die Nacht, Op. 10/3
Geduld, Op. 10/5
Ach Lieb, ich muss nun scheiden, Op. 21/3
Allerseelen, Op. 10/8
Cäcilie, Op. 27/2
Morgen, Op. 27/4

As duas obras instrumentais que integram o programa deste concerto oferecem-nos uma ideia da música de Richard Strauss no início (Sonata para violoncelo) e no final (Sexteto) da sua longa vida musical. Seria de esperar um contraste acentuado entre estas obras, mas, curiosamente, Strauss recuou ao passado na sua velhice. O estilo do sexteto é claramente tardo-romântico e distancia-se das correntes musicais modernas do século XX. As duas peças partilham também a influência de Mendelssohn sobre Strauss. O ambiente geral da sonata para violoncelo é bastante mendelssohniano e, se ouvirmos com atenção, podemos detectar semelhanças entre o tema principal da abertura As Hébridas de Mendelssohn e o do Sexteto. Mas, acima de tudo, ambas as obras ostentam a assinatura inconfundível de Strauss – tonal (ainda que com cromatismos característicos e dissonâncias inovadoras), virtuosística (mas com profundo conhecimento das capacidades do instrumento) e com uma textura simultaneamente rica, densa e transparente.

Strauss (1864–1948) nasceu no seio de uma família musical – o pai era trompista na Orquestra da Corte de Munique – e teve formação musical desde muito jovem. Começou a trabalhar na sua Sonata para violoncelo Op.6, uma das suas primeiras obras, já com grande maturidade, aos dezassete anos; reescreveu-a por completo no ano seguinte e a obra tornou-se um êxito imediato. Foi dedicada ao brilhante violoncelista checo Hanuš (ou Hans) Wihan, a quem Dvořák também dedicaria o seu célebre Concerto para Violoncelo treze anos mais tarde.
O primeiro andamento é rico em contrastes: heroísmo, agitação, vitalidade e lirismo entrelaçam-se no seu discurso musical. No centro do movimento surge uma fascinante fuga.
O segundo andamento tem um carácter mais sombrio e melancólico, apesar dos frequentes registos agudos do violoncelo.
O andamento final retoma o carácter mais extrovertido do primeiro e é, geralmente, considerado o mais exigente para o solista.

O Sexteto é hoje frequentemente interpretado como peça autónoma, embora seja, na verdade, o prelúdio da última ópera de Strauss, Capriccio. Trata-se de uma ópera sobre a própria ópera, centrada na eterna questão: o que é mais importante – a música ou o texto? A acção decorre num château francês em 1775, onde a condessa Madeleine preside ao debate. A música reflecte, de certa forma, esse contexto, mas sem nunca perder o carácter marcadamente straussiano. O tema principal, com ressonâncias de Mendelssohn, é apresentado pelo primeiro violino logo no início da peça e reaparece, sob diferentes formas, ao longo da obra. Como seria de esperar, o tema controverso – texto ou música – gera intermináveis discussões intelectuais entre os aristocratas presentes, mas a questão permanece sem resposta. A própria Condessa não consegue decidir-se. O que, por si só, diz tudo.

A completar este retrato de Richard Strauss, as duas obras são intercaladas com uma seleção cuidada e diversificada de Lieder do compositor. Talvez assim cada um possa formar a sua própria opinião sobre o que é mais importante – a música ou as palavras?
Das Notas ao Concerto, do FIMM

 

A edição deste ano do Festival Internacional de Música de Marvão decorre entre os dias 24 de julho e 2 de agosto de 2026 .