“A retardatária” de José Malhoa n’A Voz das Cores

“A retardatária” de José Malhoa n’A Voz das Cores

“A retardatária” de José Malhoa n’A Voz das Cores

“A retardatária” de José Malhoa n’A Voz das Cores

JOSÉ MALHOA

1855-1933

A retardatária, 1924

Óleo s/ tela colada em madeira, 31 x 39 cm

Ass. e dat. em baixo à esquerda: José Malhoa/

1924

N.º inv.: 35P | Nº Cadastro patrimonial 14114

Propriedade: Município de Coimbra

© Foto Alvão

A coleção Telo de Morais do Museu Municipal de Coimbra tem uma tela de José Malhoa que retrata, na perfeição, o Verão português.

Datada de 1924, a tela de pequenas dimensões (31×39 cm) representa duas mulheres que se vão encontrar num pátio de uma casa à beira mar. Ambas estão com roupas estivais, de mangas curtas. A retardatária, a figura feminina que chega, do lado direito da tela, tem uma sombrinha vermelha que a protege do sol. Juntamente com o amarelo da sua roupa e o azul dos vasos colocados atrás de si, as três cores primárias marcam a composição do lado direito da pintura, que fica dividida a meio, pela vertical, por um arbusto florido.

Do lado esquerdo, outra mulher parece fazer um gesto para se levantar de uma cadeira, para receber a que se atrasou. Atrás de si vemos uma praia, o mar com um azul profundo, que contrasta com o branco da espuma quando chega ao areal.

A vibração desta pintura é quase táctil, quando vista ao vivo. Toda a pintura sugere calor, convívio, brisa, mar, férias.

A pintura sugere música de Ottorino Respighi, Jacques Ibert, Luís de Freitas Branco e Luís Costa.

José Malhoa nasceu nas Caldas da Rainha numa família de poucos recursos, pelo que, aos oito anos, teve que procurar trabalho em Lisboa. Entrou para a oficina do entalhador Leandro Braga, que o aconselhou a estudar na ABAL, onde seria aluno de Tomás de Anunciação e de Miguel Ângelo Lupi. Após duas tentativas falhadas de conseguir a pensão do Estado para estudar no estrangeiro – e do sucesso que uma obra sua alcançou numa exposição em Madrid – integrou o Grupo do Leão (1881), assegurando assim um lugar junto dos precursores do movimento naturalista em Portugal. A sua actividade expositiva foi intensa, participando na Exposição Universal de Paris em 1900 e em várias Exposições Internacionais.

A sua obra foi conquistando grande popularidade junto do público, quer pelas suas paisagens, quer pelas narrativas populares ou burguesas que retratou. Realizou diversas encomendas públicas e privadas, onde encontramos outras vertentes da sua produção, o retrato e a pintura de história. Esta última foi aplicada na decoração de vários edifícios do Estado: Conservatório Nacional (1888), Supremo Tribunal de Justiça (1888), Câmara Municipal de Lisboa (1899), Palácio da Ajuda (1890), Assembleia da República (1891), Museu Militar (1907-1908).