Nascido em Lisboa em 1971, Nuno Côrte-Real tem-se afirmado como compositor e maestro e, como revela no segundo episódio de Memórias Futuras, depois de ter criado várias óperas, está cada vez mais fascinado com a composição de bandas sonoras. Sempre viu uma grande ligação, uma “sinestesia total”, entre música e imagens – o que o levou, até, a criar o misterioso heterónimo pintor Xavier Loureda, que ainda nunca expôs em Portugal.
“Liberdade” é a palavra-chave no seu percurso artístico, o que algumas vezes tem criado tensões com “os determinismos estéticos e elitismos típicos da música contemporânea”.
No seu mais recente disco, Hope, lançado em dezembro, cruza-se a tradição musical portuguesa do fado com a música do Afeganistão, executada por músicos ligados ao Instituto Nacional da Música do Afeganistão refugiados em Portugal desde que os talibãs assumiram o poder em 2021 e voltaram a proibir a música no país.
Começámos por aí esta conversa com Nuno Côrte-Real: “Consegue imaginar-se a viver num lugar sem música?”.
Pedro Dias de Almeida