O quarto episódio de A Voz das Cores vai até Évora, ao Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, revisitar A Sagrada Família, Oratório portátil, da autoria de Joana Baptista que viveu no século XVII.
A Sagrada Família da Soror Joana Baptista
Joana Baptista é o nome religioso de D. Jerónima de Meneses, que professou no Convento das Maltesas de São João Baptista, em Estremoz.
Irmã de D. Manuel de Meneses (1565-1628), cronista-mor durante a Dinastia Filipina, Joana Baptista ficou para a História da Arte Portuguesa como pintora talentosa, autora de obras religiosas de grande qualidade artística, delicadeza de traços e cuidado nos pormenores.
A Sagrada Família, oratório portátil que, fechado, mede 35,5cm de altura e 24,2cm de largura, representa não apenas o casal Maria e José com o Menino, mas também São João Baptista, a Santíssima Trindade e vários santos e anjos.
A composição, triangular ou piramidal, dá todo o destaque à figura de Maria que, com enlevo e carinho, observa o Filho e o Sobrinho. S. José, do seu lado direito, vela carinhosamente por todos. Dois anjos servem fruta às crianças, que estão sob o abraço de Maria. Na base do triângulo, observando com atenção, podemos inclusivamente ver uma mosca pousada numa talhada de fruta, que nos dá pistas para a fase de transição entre a estética Maneirista e Barroca. Nas costas da Família pode ver-se um jardim, igualmente guardado e tratado por anjos.
O Oratório aberto tem ainda a figura de Deus Pai no topo com o Espírito Santo e um anjo em baixo. De cada lado, nas portas, representados de forma perfeitamente simétrica estão respetivamente Santa Úrsula; São Estanislau; Santa Luzia; Santa Catarina de Alexandria; São Luís Gonzaga e Santa Apolónia.
A vida conventual oferecia uma alternativa ao estatuto de esposa e de mãe, nem sempre acessível ou apetecível. Em muitos casos, o convento representava um espaço de criatividade, em que a regra beneditina Ora et labora se convertia em expressão artística. Tal foi o caso da Irmã Joana Baptista.
Andrea Lupi

A Sagrada Família – Oratório portátil
Irmã Joana Baptista (século XVII)
65 x 48 cm/ 35,5 x 24,2 (fechado)
© Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo
Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E / Arquivo de Documentação Fotográfica
Fotografia de Luísa Oliveira / José Paulo Ruas