A história da música para cinema está cheia de pérolas escondidas: bandas sonoras que ficaram à porta dos filmes para os quais foram escritas, existindo apenas em edições discográficas pouco conhecidas.
Neste episódio do Banda à Parte, contempla-se uma exceção: em vez da história de uma banda sonora rejeitada, em causa estão duas partituras oficiais, que existem para duas versões do mesmo filme. Falamos de Night and the City – Foragidos da Noite (1950), de Jules Dassin, uma produção da 20th Century Fox rodada em Londres (com Richard Widmark e Gene Tierney nos principais papéis), que ilustra uma prática muito comum no pós-Segunda Guerra Mundial. A saber, nessa altura, as indústrias cinematográficas americana e britânica reforçaram laços com coproduções, que por vezes resultavam em objetos criativos diferentes para cada mercado de distribuição.
Assim, de Night and The City existem duas versões oficiais: uma inglesa, com a banda sonora de Benjamin Frankel, e outra americana, com a música de Franz Waxman. Duas interpretações sonoras do mesmo filme, que também implicaram escolhas diversas na montagem final e, por isso, duas formas de ver e ouvir a mesma obra cinematográfica.
O convidado para a conversa sobre este clássico do género film noir é António M. Costa, da programação da Medeia Filmes, director adjunto do LEFFEST, que mergulha connosco na narrativa e nos pormenores conceptuais de um filme pulsante, entre a paisagem urbana londrina e a estética do expressionismo alemão.
Inês N. Lourenço

