George Gershwin é o Compositor do Mês em fevereiro na Antena 2. No percurso pela vida e obra do compositor, conduzido por Inês Almeida, desta quarta-feira, detemo-nos nas múltiplas canções que compôs, em parceria com o seu irmão Ira, e numa das suas obras mais emblemáticas, Porgy and Bess.
George Gershwin: Uma Vida em Música,
a partir da biografia de William George Hyland
Broadway: musicais e canções populares; Porgy and Bess
A reputação do compositor nova-iorquino consolidou-se com a encomenda do Concerto para Piano em Fa M (1925) e do poema sinfónico An American in Paris (1928), por Walter Damrosch; o êxito de ambos levou ao surgimento de outras obras orquestrais e da ópera Porgy and Bess (1934-35). Durante as décadas de 1920 e 1930, Gershwin também compôs uma série de musicais de sucesso e quatro bandas sonoras para filmes.
A partir de 1924, quase toda a sua música vocal teve letras de Ira Gershwin, o irmão mais velho. A sua parceria foi uma das mais famosas da Broadway e as obras dela nascidas foram interpretadas por estrelas como Fred e Adele Astaire, Gertrude Lawrence, Red Nichols, Ethel Merman e Ginger Rogers; o musical Of Thee I Sing tornou-se o primeiro a vencer o prémio Pulitzer para dramatizações.
Porgy and Bess consumou o desejo de Gershwin de compôr uma ópera “negra”, para a qual DuBose Heyward adaptou a sua peça teatral baseada na história de um pedinte negro de Charleston, Carolina do Sul.
Parte da partitura foi escrita no Verão de 1934, com o compositor a viver numa ilha perto daquela cidade e, por isso, algumas das canções — Summertime, It ain’t necessarily so, ou I got plenty o’ nuttin — foram influenciadas pelo estilo de vida, a música vocal e a fala característica dos habitantes negros locais.
A reação do público foi mista: uns elogiaram Porgy and Bess como a obra inaugural do género ‘folk-opera’, outros condenaram-na por ser apenas uma sucessão de canções célebres e pela caracterização da comunidade negra.
George Gershwin tocava frequentemente as suas próprias composições em público, embora evitasse as peças “clássicas”, por entender que não tinha formação e prática suficientes. No entanto, era um formidável improvisador e, em 1932, Simon and Schuster publicaram o George Gershwin Songbook, com arranjos de 18 das suas canções mais famosas destinados à improvisação.
Inês Almeida
Gershwin, juventude e influências musicais
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