O episódio desta semana de A Voz das Cores, da autoria de Andrea Lupi, é dedicado a uma das obras mais conhecidas do pintor modernista Abel Manta (1888-1982).
Jogo de Damas, de Abel Manta
Nesta pintura datada de 1927, com uma estrutura quase quadrada, podem ser observadas as duas grandes influências de Abel Manta – o naturalismo que pautou a sua formação nas Belas Artes de Lisboa e a primazia da forma, influência de Cézanne nos seus anos formativos em Paris.
Na tela estão representadas duas pessoas, Clementina Carneiro de Moura, mulher do pintor e, como seu opositor na partida de damas, um parente. No centro da composição está o tabuleiro de damas, pousado numa mesa redonda, representada como oval, por sua vez assente num chão que também tem uma superfície axadrezada.
A figura feminina está representada com formas mais arredondadas, do cabelo às curvas dos braços e da roupa, forma curva ampliada pelas costas redondas da sua cadeira. Em contrapartida, a figura masculina tem uma representação bastante mais angular e retilínea.
As sombras projetadas e o tratamento do corpo é naturalista, em contraste com a superfície do fundo, abstrata.
A rica composição da imagem tem diversos planos que, de algum modo, dialogam entre si, irradiando do centro, do jogo de damas onde o olhar dos jogadores se fixa.

Jogo de Damas (1927)
Abel Manta (1888 – 1982)
© Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado
Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E / Arquivo de Documentação Fotográfica
Fotografia de Arnaldo Soares
O mundo do jogo e a música composta no início do século XX são o ponto de partida para um programa que conta com obras de Stravinsky, Prokofiev, Henriette Bosmans, Luís de Freitas Branco e Alfredo Casella
Andrea Lupi